domingo, fevereiro 10, 2008

Indie Lisboa 2008

Primeiras noticias: Wong Kar Wai e cinema Romeno

"A nova vaga de cinema da Roménia vai passar pelo quinto IndieLisboa - Festival Internacional de Cinema Independente, que começa a 24 de Abril e no qual serão exibidos cerca de 250 filmes de todo o mundo. O cinema feito nos últimos tempos na Roménia e que tem ganho visibilidades nos festivais europeus pode ser descoberto no IndieLisboa através dos filmes de, por exemplo, Cristian Mungiu - que venceu a Palma de Ouro em Cannes com "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" - Cristian Nemescu ou Catalin Mitulescu. Na secção "Herói Independente", o IndieLisboa propõe ainda duas retrospectivas das obras dos realizadores Johnnie To (Hong Kong) e de José Luis Guerin (Espanha), que estarão presentes em Lisboa e cuja obra cinematográfica tem sido pouco exibida em Portugal. O IndieLisboa abrirá oficialmente com a antestreia nacional do filme "My blueberry nights", de Wong Kar Wai, protagonizado por Norah Jones e Jude Law. Ao longo dos onze dias de programação serão exibidos cerca de 250 filmes e em Lisboa a organização espera ter 350 convidados portugueses e estrangeiros. Para esta quinta edição, o IndieLisboa trocou o cinema King pelo Teatro Maria Matos, mantendo a programação no Fórum Lsboa, no cinema Londres e no cinema São Jorge até 4 de Maio."

in Jornal de Notícias, 10-02-2008

sábado, fevereiro 09, 2008

Patrick Watson "Close to Paradise" (2006)

O álbum já tem 2 anos, mas a propósito da vinda do cantor a Portugal (Aula Magna, 13 de Março), surgiu a oportunidade de conhecer a obra. Eis o que Jeff Buckley estaria provavelmente a fazer se fosse vivo. Mas não vale a pena prendermo-nos em comparações. Para escutar com muita atenção (e eu só digo isto uma vez).
Patrick Watson - The Great Escape

Patrick Watson - Drifters

http://www.myspace.com/patrickwatson

Allen e David: uma dupla imbatível

Woody Allen e Larry David juntos, só pode ser uma GRANDE coisa. A noticia é que Larry David (criador e argumentista de Seinfeld, e criador e actor em Curb Your Enthusiasm - Calma Larry!) vai interpretar o principal papel no próximo filme de Woody Allen, de regresso aos EUA.
Na verdade, a escrita de ambos não se afasta assim tanto (um na televisão, o outro no cinema), e ambos têm em comum a observação picuinhas da realidade, os dois são judeus e neuróticos e baseiam toda a sua escrita nesses factos. É esperar para ver... lá para 2009/2010.

http://hollywoodinsider.ew.com/2008/02/larry-david-to.html

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Into the Wild, de Sean Penn (2007)

"O Lado Selvagem"

Christopher McCandless foi um jovem americano que, como tantos outros, se revoltava contra o sistema no qual aparentemente estava inserido, mas nem por isso se sentia integrado. Aos 22 anos enceta uma jornada imprevisível pela América profunda, com o objectivo final de chegar ao Alasca. Implícita estava uma tentativa de descoberta de si próprio e do seu lugar no mundo. Saliente-se que o rapaz, com curso superior recentemente concluído, tinha todas as hipoteses de ingressar num qualquer emprego, tinha pais influentes, dinheiro e bens materiais. Além disso era também muito inteligente, e excelente aluno. Mas nenhum desses aspectos era realmente importante na sua vida. Na verdade a sua familia era completamente difuncional (como quase todas), e cedo se refugiou também na literatura (que a propósito, o acompanha sempre, até ao último segundo), seguindo ideais de liberdade total, alienação face ao material, paz de espirito e felicidade absoluta e em sintonia com a natureza, valores que o norteavam na decisão de, sozinho, mudar de vida e criar o seu próprio caminho. Este filme, que nos é contado em jeito biográfico, beneficia muito da pessoa que McCandless foi, um perfeito idiota, ou um idealista puro, fica ao critério de quem vê. E o filme assim também poderá ser entendido, uma obra prima ou uma perfeita porcaria. Quanto a mim, penso que ficará no meio termo. Na verdade o filme não é uma obra prima, como o gostam de pintar (apelando claramente aos Oscares). Lá porque tem poesia, música de Eddie Vedder, bons planos e boa fotografia, isso não faz de si um excelente filme. O filme tenta ser mais do que aquilo que é, mas apesar disso o enredo é interessante, e a interpretação do actor Emile Hirsch é bastante boa. Já a dos restantes actores (principalmente os pais), nem por isso, salvo algumas excepções. Mas o que é realmente importante é o legado que Christopher McCandless nos deixou, e a reflexão existencialista que a sua história convoca. No final, McCandless (que se auto-intitulava como Alexander Supertramp, com a rebeldia que o caracterizava) chegou a uma conclusão angustiante (que deixo para quem vir o filme), por talvez ter ido longe demais.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Antes era assim... Lisboa

Praça do Município

Aquela que é hoje em dia uma das praças mais inúteis de Lisboa. Completamente de costas voltadas para os habitantes e turistas. Nem a proximidade da Praça do Comércio com os seus domingos "para as pessoas" a salva. Está sempre deserta, é feia e raramente tem alguma utilidade. Dantes era assim.

Aeoroporto da Portela


O ainda Aeoroporto Internacional de Lisboa, tem hoje um ar mais cosmopolita. O da foto, ainda que mais bonito era tipico do país remediado, conformado, que era pobrete mas alegrete. Continua a não ter estação de Metro que o ligue à cidade, apesar de ser dentro da cidade.

Estação de Santa Apolónia


Quando era a principal estação ferroviária da cidade, era vermelha! Hoje é azul, e à sua volta há toda uma degradação impressionante. Agora tem uma estação de Metro incorporada, o que pode ser que ajude a que reparem mais neste imponente edifício, à beira mar plantado.

sábado, fevereiro 02, 2008

The Raveonettes 'Christmas Song'

Sempre gostei de músicas atipicamente de Natal, principalmente quando são bem feitas e não obedecem à tipologia própria das músicas alusivas a essa época como as que, na sua vertente mais pop, tendem a contribuir para o histerismo do consumismo compulsivo. Este é um bom exemplo de música atípica de Natal. E isto vem a propósito da vinda dos Raveonettes ao Santiago Alquimista, em Lisboa, dia 20 de Fevereiro.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Miradouro de S. Pedro de Alcântara

Ali para os lados do Bairro Alto/Principe Real há quem já nem se lembre que há uma excelente panorâmica da cidade de Lisboa. Isto porque as obras do miradouro de S. Pedro de Alcântara ofuscavam uma das mais belas vistas da cidade. A boa notícia é que a partir de hoje, este espaço foi devolvido aos lisboetas, turistas e simpatizantes.

Fonte: Arquivo Fotográfico de Lisboa, autor e data desconhecidos

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Ensemble C'est tout, de Claude Berri (2007)

"Enfim Juntos"

De França chega-nos uma história pouco convencional, uma lufada de ar fresco para combater tantas comédias românticas e afins que têm aparecido nas nossas cinzentonas salas de cinema, filmes esses que nada acrescentam e até entediam. Nesta história cruzam-se os destinos de Camille (Audrey Tatou), artista frustrada, de costas voltadas para a sua familia, e que ganha a vida a fazer limpezas; Franck (Guillaume Canet), um jovem incompreendido, cozinheiro a tempo inteiro, e cujo o único dia de folga é passado com a avó doente, Paulette (Françoise Bertin), que tudo lamenta nos seus derradeiros anos de vida, e há ainda o sui generis aristocrata Philibert Marquet de la Tubelière (Laurent Stocker), homem angustiado, timido e gago, com aspirações ao mundo do teatro. A originalidade desta história está na forma como as vidas destas pessoas se cruzam, e estabelecem um relacionamento que à partida seria improvável. Sem cair excessivamente em lugares comuns típicos, é um filme com uma narrativa muito própria, que não nos revela logo tudo à partida, nem sequer nos contextualiza previamente, desdobrando-se minuto a minuto, pondo a descoberto as caracteristicas de cada personagem, na sua individualidade, mas também e essencialmente, nessa referida interacção atípica. De resto, nunca chegamos muito bem a perceber de onde vêm estas personagens e qual a sua história, apenas percebemos que chegaram a um ponto da sua vida em que urge fazer alguma coisa para mudar e dar o salto.

O filme acaba por debruçar-se sobre o empurrão que estas pessoas precisavam. Há, contudo, aspectos que gostariamos de ver melhor explorados. A dada altura a relação entre Camille e Franck apodera-se de quase toda a acção, deixando em plano secundário as vidas das restantes personagens, nomeadamente a de Philibert, talvez a personagem mais rica do filme. Há também o final, que se podia ter ficado pela penúltima cena. Se tão pouco sabiamos da vida anterior destas personagens, também não tinhamos de ficar a saber tanto da sua vida futura, e infelizmente a forma como o filme termina, fazendo jus ao título português do filme (enfim juntos), obedece aos tais clichés que o filme conseguiu evitar quase sempre. O que é pena. Ainda assim, apesar de ligeiro, este é um filme de grande densidade emocional, apelando claramente a uma reflexão profunda da nossa forma de estar e interagir com os outros. Ainda que as decisões finais sejam individuais, é em interacção que as encruzilhadas e dilemas com que nos deparamos no dia-a-dia, se simplificam e se tornam passíveis de ser ultrapassados.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

The Magnetic Fields - Distortion

Novo álbum dos Magnetic Fields, numa vertente mais pop. Destaque para as músicas "three way" e "california girls". É dificil tirar este álbum do ouvido.

Ouvir em:

quarta-feira, janeiro 23, 2008

4 meses, 3 semanas e 2 dias, de Cristian Mungiu (2007)

O cinema romeno está na moda, ou pelo menos assim parece, dada a recente proliferação do mesmo nas nossas salas de cinema. Após as recentes projecções de "A Morte do Sr. Lazarescu" e "12:08 A Este de Bucareste", chega-nos agora este "4 meses, 3 semanas e 2 dias" do realizador Cristian Mungiu, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o ano passado. A acção do filme, passa-se, no entanto, 20 anos antes, em 1987, nos últimos tempos do comunismo romeno, numa altura em que o aborto era proibido às mulheres com menos de 40 anos. Trata-se de um filme cru, frio e duro, que nos remete para uma realidade igualmente cruel, o aborto clandestino. Sem moralismos ou juízos de valor (não é esse o objectivo do filme), o realizador encaminha-nos para uma representação demasiado real desse processo. De salientar a forma notável como no decorrer do filme, o acto em si é colocado como mais uma tarefa a realizar nesse dia, sem grandes momentos para reflexão, sem floreados, o que denota bem como o aborto clandestino estava extremamente enraízado no quotidiano destas pessoas. O mundo não para, há que continuar a frequentar a escola, a ir a um jantar de aniversário, enquanto se ajuda (ajuda que vai para além do mero apoio moral) a amiga que está no hotel à espera que se dê o desmancho. Vivia-se numa sociedade em que todos os gestos eram controlados, todas as acções suspeitas e cada qual tentava sobreviver num clima de repressão social. Este é um filme em tempo real, daí que só paremos para respirar quando as protagonistas também respiram, vemos o mesmo que as personagens veêm, da mesma forma que não fazemos a minima ideia como o filme vai acabar tal como elas não sabem como acabará esse dia. Apesar de ser um bom filme, está, quanto a mim, sobrevalorizado, o que advém claramente do rótulo adquirido pelo prémio em Cannes.

terça-feira, janeiro 22, 2008

Cats on Fire - "The Province Complains" (2007)

O ano musical começa bem. Recentemente descobri uma banda nitidamente influenciada pelos Smiths, que fizeram um delicioso álbum em 2007. São finlandeses e arriscam-se seriamente a seguir as pisadas de Morrissey e companhia.

Aqui fica a música "Draw In The Reins" para abrir o apetite:

http://www.myspace.com/catsonfiremusic

sábado, janeiro 19, 2008

The Go Team! @ Lux-Frágil 18/01/2008

Do It, Do It, Allright!

E eis que os Go Team encheram a pequena sala de concertos do Lux para, com a sua excentricidade, colocar cerca de 600 pessoas a dançar valentemente. Ecléticos, barulhentos, saltitantes e bem humorados, os Go Team sabem, sem dúvida, aquecer uma sala. Lamentavelmente o concerto durou apenas pouco mais que uma hora, o que é pouco, para uma banda que é capaz de nos deixar a dançar a noite toda. Nota negativa para o som da sala (demasiado alto para uma sala daquelas dimensões), o preço dos bilhetes (20euros) e o potentissimo ar condicionado.Os Go Team provam ser uma banda nitidamente vocacionada para festivais. Proponho uma permuta: Arcade Fire num Coliseu, e The Go Team num dos próximos festivais que se avizinham.

terça-feira, janeiro 15, 2008

Cassandra`s Dream, de Woody Allen (2007)

Mais um ano, mais um filme de Woody Allen, que já nos habituou ao seu filme anual. Se por um lado, os verdadeiros fãs não podem passar sem esse momento anual, por outro, pode não ser positivo para a sua obra realizar um filme por ano. Deixemos de lado essa aparente tentativa de bater um qualquer record, a verdade é que um filme de Woddy Allen, a meu ver, continuará sempre a ser um acontecimento, ainda que este "O Sonho de Cassandra" seja apenas um filme bom. Esta é uma obra na qual o realizador retoma a temática do crime e castigo, e dos dilemas morais que atormentam quem se torna um assassino. Regressa igualmente ao crime enquanto garantia de ascensão social, divagando novamente pela oposição existente entre diferentes classes sociais e as oportunidades díspares que normalmente estão associadas a cada uma das posições na sociedade. Vem, pois, na senda de "Crimes e Escapadelas" e do mais recente "Match Point". Este filme conta-nos a história de dois irmãos (interpretados por Ewan McGregor e Colin Farrel), oriundos de classe média baixa, que não estando satisfeitos com a vida que levam, aceitam cometer um crime, como passaporte para uma vida melhor. O sotaque britânico continua a assentar como uma luva na obra do realizador, o argumento é um pouco requentado, mas as interpretações sao consistentes e há momentos verdadeiramente únicos. Ainda que o fim do filme, seja um pouco despachado, o que já vem sendo típico (mas outra coisa não seria de esperar, dada a inspiração nas tragédias gregas), são cerca de 100 minutos muito bem passados, acompanhados pela música de Phillip Glass, que sem dúvida contribui muito para o bom desempenho do filme. Fica, no entanto, a questão: irá Woody Allen, com a mudança para Barcelona, novamente com Scarlett Johansson, e com o contributo de Penelope Cruz, dar uma nova volta na sua carreira? Esperemos que sim.

sábado, janeiro 12, 2008

Shout Out Louds vs The Cure

Já alguém reparou na música do novo anúncio da Optimus? Pertence a uma banda sueca de nome Shout Out Louds e nao pude deixar de reparar como são influenciados pelos The Cure (com as devidas diferenças, claro). Bom, mas isto vem a propósito da vinda dos Cure a Portugal, o mês que vem.

Tonight I have to leave it- Shout Out Louds



The Cure-Friday I'm in love

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Eastern Promises - Promessas Perigosas

David Cronemberg (2007)

O cinema de David Cronemberg é naturalmente um cinema negro, depressivo e que extravasa pouca felicidade. É também um cinema cru, de violência por vezes extrema e angustiante. As personagens dos seus filmes são normalmente almas deambulantes e ambivalentes, que procuram o prazer através de métodos pouco ortodoxos. Foi assim com "Crash" e mais recentemente com "Uma História de Violência". A história deste filme é mais linear que os anteriores filmes do realizador. Ainda assim, há um enigma latente, que é perceber se a personagem interpretada por Viggo Mortensen (mais uma vez a trabalhar com Cronemberg) é do bem ou é do mal. Trata-se de um filme que nos remete para os meandros da máfia russa em Londres, dos seus negócios de fachada e das suas actividades obscuras. É também um filme onde o conceito de família está muito presente, quer na sua forma tradicional (sangue do mesmo sangue), quer no seu formato fabricado (os tentáculos da máfia). O mote é a morte de uma prostituta russa no momento em que dá a luz, e o interesse em descobrir a família da criança, que leva a enfermeira interpretada pela actriz Naomi Watts a dar de caras com a máfia. Ainda que piscando o olho ao mainstream, Cronemberg diferencia-se pela capacidade de não cair no óbvio. O final do filme acaba por ser surpreendente, num filme com um elenco muito bom.