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segunda-feira, maio 11, 2009

Prince of Broadway, de Sean Baker (2008)

Indie Lisboa 2008


Este filme foi uma das surpresas do Indie Lisboa deste ano. O exemplo de como uma história simples, pode remeter-nos para uma realidade mais complexa, da imigração clandestina, vendas ilicitas, mães solteiras e toxcodependentes, etc, em suma, várias faces da vida quotidiana das grandes cidades, neste caso Nova Iorque. A história é a de um imigrante que se vê a braços com uma criança de 2 anos que alegadamente é seu filho. A mãe, essa é uma irreponsável que desaparece sem deixar rasto. Lucky, o pai, que baptiza o o filho de Prince, aprende então a lidar com a criança no meio de vendas de contrabando, gerindo este embaraço com a actual namorada. Lateralmente conhecemos também a história do patrão de Lucky, naturalizado americano por intermédio de casamento, e que se vê a braços com um pedido de divórcio e simultaneamente com a polícia a descobrir os seus esquemas ilícitos. Um filme bem disposto.

quarta-feira, maio 06, 2009

Ballast, de Lance Hammer (2008)

Indie Lisboa 2009
Ballast é um filme contido, emotivo e silencioso. Narra a história de 3 almas deambulantes, algures no Mississipi americano, cujas vidas estão cruzadas e marcadas para toda a vida. Perante o declínio do seu jovem filho, cada vez mais envolvido nos meandros da droga e violência, a mãe abandona a sua casa e muda-se para o local onde morava o seu ex-marido, que entretanto se havia suicidado. Aí vai encontrar, a morar na casa ao lado, o irmão gémeo do ex-marido com quem sempre teve diferenças inconciliáveis., irmão esse que entretanto se tinha também tentado matar. Os motivos do ódio destas pessoas não são abertamente conhecidos, mas há todo um passado de má convivência latente e presente em todo o filme. A dada altura parece haver esperança e a possibilidade de alguma felicidade na vida dos três, à medida em que tio e sobrinho se aproximam e se vislumbra alguma abertura na relação dos cunhados, mas será que realmente algo mudou? Um filme sobre o impacto do suicidio de um homem adorado pelo irmão gémeo, odiado pela ex-mulher e ignorado e desconhecido pelo filho.
Este foi o filme vencedor do prémio do juri internacional da edição deste ano do Indie Lisboa.

sexta-feira, maio 01, 2009

Louise-Michel, de Benoit Delépine, Gustave Kervern (2008)

Indie Lisboa 2009


Depois de Aaltra, eis mais um brilhante filme desta dupla de realizadores belgas. Louise é uma muito sui generis funcionária de uma fábrica de brinquedos, e igualmente personagem única lá do sítio. Com o fecho da fábrica onde trabalha, que apanhou todas as funcionárias de surpresa, decidem "resolver a questão" de uma forma radical, enbeçadas por Louise. É com essa missão que Louise conhece Michel, uma espécie de assassino profissional, mas que tem muito pouco de assassino e não é mesmo nada profissional. Também ele próprio é uma figurinha interessante, uma espécie de Joane, o Parvo, à Gil Vicente. Ambos não desistem da sua missão, matar o dono da fábrica, e são hilariantes as peripécias e contratempos que surgem até atingirem o seu objectivo e não poupando inocentes. Por detrás deste aparente caos, que é uma característica dos seus filmes, esconde-se uma feroz crítica mordaz ao mundo neo-liberal e da globalização. Pode ser que estreie por cá, como chegou a suceder com Aaltra, que tem direito a edição nacional em DVD.



Una Semana Solos, de Celina Murga (2008)

Indie Lisboa 2009
Da Argentina chega-nos um filme sobre vários jovens e crianças (entre irmãos, primos e amigos) que ficam uma semana sozinhos em casa, num condomínio de luxo, enquanto os pais viajam pela Europa. Apesar da sua riqueza financeira, as suas brincadeiras nada têm de requintadas, pelo contrário, são a prova de que as brincadeiras de criança e adolescentes são comuns a todas as classes, a diferença é que quando se tem dinheiro e se cometem irresponsabilidades, espera-se sempre sair impune. É o caso destes miudos ricos, que ocupam o seu tempo livre a fazer estragos nas casas vizinhas e quando apanhadas em flagrante não hesitam em culpar o irmão da pobre empregada. Na verdade esse é só um dos momentos do filme, porque durante as quase 2 horas de filme o que vemos é o dia-a-dia algo entediante destes miudos que têm demasido tempo livre entre mãos e pais demasiado irresponsáveis e ausentes.

domingo, abril 26, 2009

The Happiest Girl in the World, de Radu Jude (2009)

Indie Lisboa 2009

Mais uma bom filme proveniente da Roménia. Trata-te de uma original história sobre uma adolescente que ganha um automóvel num concurso para o qual teve que enviar vários cupões de sumo de laranja. Delia pertence a uma família remediada, oriunda de uma pequena cidade romena, mas é uma rapariga como tantas outras, cheia de sonhos e ambição e que deseja sair o mais rapidamente possível da pequenez da sua vida. Assim, Delia desloca-se com os pais a Bucareste para filmar o anúncio do tal sumo. Mas o que deveria ser um momento de alegria, por ter ganho um carro e aparecer na televisão, torna-se num momento penoso, já que a filmagem dura o dia todo devido a diversos contratempos. As filmagens são apenas o culminar das discussões permanentes que tem com os pais quanto ao seu futuro quando for para a faculdade, e principalmente quanto a ficar com o carro, já que os pais o querem vender. O filme está recheado de momentos deliciosamente cómicos, durante a filmagem, mas também muito tensos no que diz respeito à relaçao de Delia com os pais. Um filme para pais e filhos repensarem as suas relações.

sábado, abril 25, 2009

Boogie, de Radu Muntean (2008)

Indie Lisboa 2009

O cinema romeno continua a marcar presença no festival Indie Lisboa. Este filme é mais um exemplo de prosperidade do chamado "novo cinema romeno".
Boogie é diminutivo de Bogdan, chegado ou a chegar aos 30 anos e que vive uma espécie de crise de meia-idade antes do tempo. A verdade é que Bogdan é, como tantos outros, um homem casado, com um filho e à espera de outro, com pouco tempo para a família e que não sabe o que é estar com amigos há muito tempo. Umas raras férias e o encontro com velhos amigos dão o mote para a constatação que há que mudar o rumo e não ceder tanto às pressões e obrigações da vida adulta, na qual a vida familiar e social é preterida para o trabalho. Opções de vida são postas em causa, a crise instala-se, mas há que seguir em frente.
Este filme conta com a participação da protagonista do filme "4 meses, 3 semanas e 2 dias", Anamaria Marinca, tendo o actor principal Dragos Bucur participado em "A morte do Sr. Lazarescu".


Encounters at the End of the World, de Werner Herzog (2007)

Indie Lisboa 2009
Werner Herzog tem na edição deste ano do Indie Lisboa, direito a uma retrospectiva da sua carreira, sendo um dos Heróis Independentes deste ano. "Encounters at the End of the World" é o filme que abre oficialmente a edição deste ano desta festa do cinema.
Depois de "Grizzly Man", Herzog volta ao género documentário, desta vez deslocando-se à Antártica e às profundezas das suas águas geladas. O realizador relata o dia-a-dia da comunidade "escondida" que lá vive e trabalha e acompanha os trabalhos levados a cabo em cima e em baixo da tremenda placa de gelo que é esse continente. O que motiva estas pessoas? De onde vêm? O que pretendem? Como é a sua relação com esta natureza quase em bruto? Quais os seus medos e anseios?
Um trabalho de beleza rara e crua, filmado de forma muito inteligente, cruzando imagens actuais com imagens de aquivo e sempre com uma pitada do humor muito próprio do realizador, que nos deixa a sua visão e alguns recados para o mundo, pondo mesmo em causa as prioridades do mundo actual. O filme foi também nomeado para o Óscar de melhor documentário.

domingo, março 29, 2009

Festival Indie Lisboa 2009

23 de Abril a 3 de Maio

Mais um ano e mais um grande Festival Indie Lisboa. Este 6º ano o festival vai ocupar mais salas do que 2008. Embora tenha ficado um pouco a perder o ano passado, por ter substituido as 3 salas do cinema King pela sala unica do teatro Maria Mattos, este ano deixa cair esse teatro, passando a estar presente em duas salas do recente Cinema City Classic Alvalade. Isto, claro, a juntar às habituais salas do cinema S. Jorge, Fórum Lisboa e Cinemas Londres, a que junta mais uma vez o auditório do Museu do Oriente.
Werner Herzog e Jacques Nolot são os heróis independentes do IndieLisboa 2009, sendo mostradas 36 obras destes 2 realizadores, que vão estar presentes no festival.
Destaque para as estreias dos mais recentes filmes de François Ozon e Christophe Honoré.
A sessão de abertura será "Encounters at the End of the World", de Werner Herzog e o de encerramento será pela primeira vez o filme vencedor do principal prémio.

quarta-feira, junho 18, 2008

Viagens no Oriente

No seguimento da colaboração entre a associação Zero em Comportamento e o Museu Oriente, destaque para um novo cliclo de filmes com um programa composto, maioritariamente, por filmes inéditos em Portugal. Todos os filmes são apresentados com legendas em português e custam 3€ por sessão. De 18 de Junho a 28 de Julho.

18 de Junho
18h00 L’Intouchable, de Benoit Jacquot

22 de Junho
18h00 How Is your Fish Today?, de Xiaolu Guo

26 de Junho
18h00 Workingman’s Death, de Michael Glawogger

2 de Julho
18h00 L’Intouchable, de Benoit Jacquot

6 de Julho
18h00 Born into Brothels, de Ross Kauffman e Zana Briski

9 de Julho
18h00 How Is your Fish Today?, de Xiaolu Guo

10 de Julho
18h00 Taking Father Home, de Ying Liang

13 de Julho
18h00 Taking Father Home, de Ying Liang

17 de Julho
18h00 A Tree in Tanjung Malim + Company of Mushrooms + South of South, de Tan Chui Mui

20 de Julho
18h00 Flower in the Pocket, de Seng Tat Liew

24 de Julho
18h00 Pátria Incerta, de Inês Gonçalves e Vasco Pimentel + A Ilha da Boavida, de Mercês Gomes

28 de Julho
18h00 Flower in the Pocket, de Seng Tat Liew

Mais informações aqui.

domingo, maio 25, 2008

Ciclo de Cinema “Máscaras”

Zero em Comportamento e Museu do Oriente promovem Ciclo de Cinema “Máscaras”

25, 28, e 29 de Maio e 1 de Junho ; Auditório do Museu do Oriente Piso 5 ; Preço: € 3,00

(oportunidade também para rever alguns filmes do Indie Lisboa deste e outros anos)

A associação cultural Zero em Comportamento e o Museu do Oriente co-produzem um ciclo de cinema, entre 25 de Maio e 1 de Junho, que, de maneiras diferentes, coloca uma mesma questão: a vacilação da identidade humana quando sujeita a pressões de vários tipos (social, moral, político).

Os temas da falsa identidade, do duplo e da máscara têm sido objecto de muitos e distintos olhares cinematográficos. Protegendo-se por trás de máscaras e/ou de identidades fictícias, o individual pode esconder-se mas, paradoxalmente, revelar a sua verdade mais profunda.

Com filmes provenientes de países tão distintos como a Áustria, Argentina, França, Espanha, Chile, Canadá ou Alemanha, a mostra apresenta seis longas-metragens.

Os bilhetes custam três euros e todos os filmes são legendados em português.
Programa e sinopses aqui.

segunda-feira, maio 19, 2008

Pas Douce / Angel

Esta semana estrearam - com um ano de atraso - dois filmes que passaram o ano passado no Indie Lisboa 2007.
São eles, Angel - Encanto e Sedução, de François Ozon e Pas Douce - Nada Meiga, de Jeanne Waltz.

terça-feira, maio 06, 2008

It's a Free World, de Ken Loach (2007)

Indie Lisboa 2008


Se Import Export já focava a temática de emigração/imigração, It's a Free World - Mundo Livre, de Ken Loach (filme de encerramento do Indie Lisboa), põe a lume a imigração clandestina e os problemas que daí advêm. Angie é funcionária de uma empresa de recrutamento de trabalho temporário que após ser despedida cria a sua própria empresa de recrutamento, tendo como principais "clientes" imigrantes, que muitas vezes não têm a sua situação regularizada. Se inicialmente a sua ideia era apenas conseguir uma vida melhor com trabalho honesto, Angie cedo percebe que é no negócio que envolva imigrantes clandestinhos (mão de obra-barata e salários mínimos) que está o seu lucro. A partir de dada altura a bola de neve adensa-se, e será dificil voltar atrás. Um filme que fala das desigualdades sociais, precaridade de emprego, imigração ilegal e falta de escrúpulos, realidades perfeitamente actuais e que fazem todo o sentido na obra de um realizador que já nos habituou à abordagem de temáticas sociais. Este filme é importante contributo e uma interpretação pertinente para compreender estas realidades sociais, numa Europa cujo sistema social apresenta cada vez mais sinais de degradação, onde os imigrantes são simultaneamente desejados (porque são baratos) e odiados (porque ocupam recursos).


domingo, maio 04, 2008

Import Export, de Ulrich Seidl (2007)

Indie Lisboa 2008

O festival Indie Lisboa não é so entretenimento. Pela tela passam em grande medida filmes que focam realidades sociais críticas, sociedades deterioradas e grupos sociais desfavorecidos. São histórias que também merecem ser contadas, e cujo papel do cinema é também aproximar e alertar o público para realidades diferentes da nossa, e que de outra forma só conheceriámos através dos noticiários e jornais. Import Export, de Ulrich Seidl é um bom exemplo, e poderia ter como subtítulo "O lado negro da Europa". Trata-se de um filme rodado maioritariamente por actores amadores (o que confere ainda maior realismo ao filme, e permite uma maior identificação com o cidadão comum), que nos conta duas histórias parelelas que apesar de não se cruzarem literalmente, partilham em comum o desencanto vivido pelas personagens, que procuram uma vida melhor, para além das fronteiras do seu país, e das situações muitas vezes degradantes a que se têm que sujeitar. Import Export versa sobre algumas das realidades mais cruéis da nossa Europa, a emigração clandestina, a exploração e o tráfico humano, etc. Uma das histórias é sobre Olga, uma enfermeira ucraniana que ao emigrar para a Austria, trabalha como empregada de limpeza e tem um part-time em cibersexo. A outra é sobre Pauli, um ex-segurança austríaco, que acompanha o padrasto pela Europa fora, acabando precisamente na Ucrânia, onde se perde no meio de tanta boémia.
Trata-se, pois, de um retrato bem mais cinzento que aquele que Bruxelas nos tenta passar. São realidades que, mesmo que a comunicação social as veicule, não nos dá tempo para qualquer percepção ou compreensão mais elaborada. Assim, estes filmes são um ponto de partida para que se possa verdadeiramente discutir estes assuntos.

Indie Lisboa 2008 - Os Premiados

O festival Indie Lisboa desde ano está quase a terminar. Fica aqui a lista e horários dos filmes premiados.

Principais premiados:
WONDERFUL TOWN, Aditya Assarat, fic., Tailândia, 2007, 90'
NIGHT TRAIN, Diao Yinan, fic., China, 2007, 91'
VIA DE ACESSO, Nathalie Mansoux, doc., Portugal, 2008, 82'
MOMMA´S MAN, Azazel Jacobs, fic., EUA, 2008, 98'
TERRA SONÂMBULA, Teresa Prata, fic., Portugal/Moçambique, 2007, 96'

FILMES PREMIADOS
Domingo 4 de Abril Sessões Filmes Premiados

sábado, maio 03, 2008

Momma's Man, de Azazel Jacobs (2008)

Indie Lisboa 2008

Um dos filmes mais promissores deste ano, na competição internacional, é Momma's Man. Mickey é um jovem adulto, casado e pai de uma bebé que regressa a Nova Iorque, a trabalho, ficando em casa dos seus pais. Cedo essa viagem deixa de ser apenas uma viagem de negócios, transformando-se num regresso ao passado de Mickey. Em casa dos seus pais, Mickey começa a adiar o regresso à Califórnia, onde está a sua mulher e filha e o seu trabalho. Começa por inventar problemas como o voo de regresso, até que acaba mesmo por desligar o telemóvel e incorporar um autêntico regresso à infância e juventude. Tudo na casa dos seus pais o faz lembrar esses tempos, desde os livros de banda desenhada, à sua guitarra e letras de música, passando por cartas de namoradas ou até mesmo o regresso de um amigo de infância. Esse sentimento de retorno ao passado e incapacidade de continuar o tempo presente e viver o futuro adensa-se a partir do momento em que já nem sequer consegue sair de casa. Um filme sobre os afectos entre pais e filhos e reflexão sobre a capacidade (ou falta dela) para lidar com o crescimento, com as responsabilidades adultas e aceitar aquilo em que nos tornámos e o caminho que estamos a percorrer.
Este é um registo quase autobriográfico do realizador Azazel Jacobs, que filma os seus próprios pais, na sua própria casa.

http://www.mommasman.com/

Go Go Tales, de Abel Ferrara (2007)

Indie Lisboa 2008

Na passada quarta feira no Indie Lisboa (e em repetição hoje), deu-se a ante-estreia do mais recente filme do realizador Abel Ferrara. A acção do filme passa-se totalmente no Ray Ruby's Paradise, um cabaret decadente que luta diariamente por não fechar as portas. Durante cerca de hora e meia desfilam pelos nossos olhos as mais belas dançarinas de várias nacionalidades, artistas de todo o tipo, bêbados problemáticos, arruaceiros, etc etc. Ray (Willem Dafoe), o gerente do estabelecimento, gere-o como se fosse a grande criação da sua vida, é a sua menina dos olhos, a sua família de estimação, que tenta salvar apostando na lotaria, através de esquemas ilícitos, dinheiro falso, etc. Filme interessante porque vive de pequenos momentos, que derivam das histórias cruzadas das vidas que por ali deambulam naquele microcosmos. Vive também de personagens-tipo que não chegamos a conhecer completamente, mas que conseguem, em pouco tempo de filme, deixar a sua marca. Um filme que é uma verdadeira caixinha de surpresas.


terça-feira, abril 29, 2008

The Field Guide to North America, de Cam Archer e Deco Dawson (2007)

Indie Lisboa 2008

Este registo musical tem como objectivo uma comparação entre a música na área indie (essencialmente) que se produz nos EUA e Canadá. “The Field Guide to North America: The U.S and Canada - A Comparative Survey” é uma compilação de videoclips ou curtas metragens de várias bandas como Devendra Banhart, Joanna Newsom, Smog, Fiery Furnaces. Não tirando o mérito à música, já que os artistas são de reconhecida qualidade, trata-se de um documento que nada mais faz do que debitar imagens e sons, sem que seja feita qualquer abordagem crítica ou documental sobre o assunto. Ao que parece as conclusões são para cada espectador tirar, funcionando este documento apenas como mostra do que melhor se faz nesses países. Devido a essa limitação, a tentativa saiu, quanto a mim, falhada.

segunda-feira, abril 28, 2008

The Mother, de Antoine Cattin e Pavel Kostomarov (2007)

Indie Lisboa 2008

"The Mother" é um dos documentários em competição no Indie Lisboa 2008. A mãe é Lyuba, que em russo quer dizer Amor. E de facto muito amor tem esta mãe para dar, aos seus 9 filhos que cria sozinha sem marido (que abandonou devido aos seus comportamentos violentos e com quem tinha casado aos 14 anos, quando a sua própria mãe a trocou por Vodka). Além disso Lyuba também trabalha, arduamente, para tentar dar uma vida decente aos seus filhos, único sonho que ousa ter. Tem também a ajuda da filha mais velha, que entretanto também casa e tem ela própria uma filha, mas o seu marido é preso... também por ser violento. O filho mais velho de Lyuba também já esteve preso, o que parece natural nesta comunidade, que é representativa de uma sociedade Russa patriarcal, sociedade esta onde os modelos instituídos se vão reproduzindo de geração em geração, por isso é que a protagonista, apesar de vítima deste determinismo social, o reproduz, educando os seus filhos da mesma forma que os homens com quem conviveu. Apesar de tudo, Lyuba continua a viver, tem sempre espaço para mais um (tenta adoptar um menino filho de mãe negligente), tenta juntar-se a outro homem, do qual acaba por se separar por ser alcoólico, organiza o casamento da filha e promete ajudar a criar a neta, e continua a trabalhar arduamente (trabalho braçal!). O documentário termina com o olhar triste de Lyuba, para quem esta vida, infelizmente continua para além da tela de cinema.
Quanto à realização do documentário, não é propriamente original, perdendo-se facilmente em pormenores e personagens que não são relevantes para a história, nao aproveitando os realizadores a pérola que têm entre mãos.
Relativamente à sala do Teatro Maria Matos, registe-se que é excelente para projecção de filmes.

domingo, abril 27, 2008

Pink, de Alexander Voulgaris (2007)

Indie Lisboa 2008
"Pink", que quer dizer Rosa, ou seja o nome da cadela do protagonista deste filme, é um filme do grego Alexander Voulgaris em competição no Indie Lisboa deste ano. Vassilis Galis, interpretado pelo próprio realizador, é um jovem de 20 e tal anos, como tantos outros, que nos fala das preocupações típicas de um jovem dessa idade. Vassilis é um jovem muito tímido, com uma infância marcada pelo abandono da sua mãe. Conta-nos a sua história como se estivesse a escrever à sua mãe. É a partir desses momentos que nos dá a conhecer os seus sonhos, angústias e preocupações. Há também uma grande paixão por Emily, uma rapariga que conheceu numa passagem de ano em Berlim, e ainda uma rapariga ucraniana de 11 anos com quem estabelece uma grande e improvável amizade. Filmado de uma forma muito amadora, "Pink" nem sempre tem uma história linear, há sonhos e divagações que se entrecruzam com a narrativa, nem sempre sendo muito perceptivel o fio condutor do filme. Há qualquer coisa de Richard Linklater (de Before Sunrise) neste filme, que é uma obra interessante, mas não perfeita. Uma história inacabada onde as pequenas acções quotidianas são de facto o que tem importância.

sábado, abril 26, 2008

Joy Division, de Grant Gee (2007)

Indie Lisboa 2008

Este é um documentário que pode funcionar muito bem como introdução ao recente filme de Anton Corbijn, "Control", para quem não conhece os Joy Division, ou mesmo como complemento ao filme, para quem já os conheça. Para quem viu "Control" no fundo esta é também a história da banda e do seu finado vocalista Ian Curtis, mas contada em primeira pessoa pelos seus intervenientes. Embora assente numa lógica de documentário pouco criativa, este documento tem o mérito de nos dar algum material inédito, algum do qual recentemente descoberto. Ao contrário da biografia ficcionada de Ian Curtis em "Control", que precisamente pela sua componente ficcionada poderia interessar a qualquer espectador, este é um documentário dirigido aos aficcionados pela banda, ou pelo menos aos interessados por estas temáticas.