quinta-feira, junho 28, 2007

Porto, Junho 2007



quarta-feira, junho 20, 2007

Centro de Emprego Conde Redondo 19/06/2007

Para se fazer um estágio profissional é necessário estar-se desempregado e não se ter tido descontos na área de licenciatura no último ano. Ok. Então venha daí o estágio. Mas não pode ser, porque a licenciatura já foi terminada há 3 anos. Ah... e tal... há os estágios do Inov Jovem... mas curso de quê? sociologia? hum... não temos esse curso no programa... pois não pode ser. Função Pública? ah ah... não sabemos quando é que esses voltarão a abrir... se vão abrir.
Não é um bocadinho incoerente? pssht... calem-se!

Lá fora chovia...aqui dentro também!

sexta-feira, junho 15, 2007

Peter Bjorn and John, "Writer's block" (2006)

O álbum já é de 2006, mas foi um anúncio recente na tv que me chamou a atenção. E não estamos perante um one hit wonder, o álbum vale mesmo por si!
Oportunidade para conhecer também os anteriores álbuns já que este não é o primeiro.

Eis o (tão assobiado) single "Young Folks (Featuring Victoria Bergsman)"


Outras músicas:

domingo, junho 10, 2007

The Sounds, "Dying to Say This.. "

Não tenho aqui falado muito de últimos álbuns que ando a ouvir ultimamente, mas andava morto por dizer isto... The Sounds estão seguramente sob minha escuta nos últimos meses, principalmente este "Tony the Beat" está em constante loop na minha cabeça.

quinta-feira, junho 07, 2007

The Sopranos - o fim

Descobri os Sopranos mais tarde que as outras pessoas. Fiquei durante alguns anos fora de muitas conversas nas quais se comentava o episódio da véspera. Mas cedo achei que gostaria da série se a visse, até porque apanhava às vezes algum episódio aleatório e apesar de tudo achava interessante. Antes de por cá repetir a 5ª temporada, vi as primeiras 4 em pouco mais de 6 meses, normalmente em doses duplas, nos idos tempos do ano 2005, seguindo-se a repetição da 5ª e os mais recentes episódios da 6ª temporada. Passei de mero curioso a fã incondicional. Tudo isto para dizer que a série chega ao fim no domingo, no país de origem, com a transmissão do 86º e último episódio.

quarta-feira, junho 06, 2007

Momento simbólico do dia

A partir de hoje já não posso mais usar este companheiro de tantas viagens e idas ao cinema.
Fotografia retirada e lixo com ele!

segunda-feira, junho 04, 2007

Andrew Bird
Cinema S. Jorge, 31 de Maio

Dia 31 de Maio a sala principal do cinema S. Jorge abriu as portas para receber Andrew Bird, numa altura em que o artista promove o seu último álbum Armchair Apocrypha. A sala praticamente esgotou, para meu espanto, que não pensei que houvesse tanta gente interessada em ouvi-lo. O artista fez-se acompanhar por outros músicos, mas claramente os melhores momentos da noite foram os que tocou a solo. Um bom concerto, embora com uma dinâmica um pouco sonolenta.
Fotos: Blitz

quarta-feira, maio 09, 2007

Tori Amos "American Doll Posse"
Lançado a 01/05/2007
Myra Ellen Amos (ou melhor, Tori Amos) tem um novo álbum. Nada de novo no mundo desta senhora, ou seja, continua a ser muito bom que esteja por perto para podermos ouvir o que tem agora a dizer nestas novas 23 canções.

domingo, maio 06, 2007

Il Caimano, de Nanni Moretti

Depois de "O Quarto do Filho", filme no qual a família (enquanto instituição) já tinha um papel preponderante, como aliás acontece em toda a obra do realizador, chega-nos (com relativo atraso, diga-se) o novo filme de Nanni Moretti, "Il Caimano". Se, em toda a cinematografia de Moretti, estava sempre latente uma crítica de costumes, relativamente aliada à realidade política de Itália, neste filme essa presença é muito mais explícita. O filme trata da história de Bruno, um homem em perda e desencantado com a vida, quer pessoal quer profissionalmente. Bruno é um produtor de filmes de série B, que há 10 anos não produz um filme. Simultaneamente o seu casamento está em declinio, vive ainda com a mulher mas escondem dos filhos a dura realidade do divórcio. Inadvertidamente Bruno encontra-se na circunstância de ter de produzir um filme sobre (e contra) Berlusconi.
E é também sobre Berlusconi que é O Caimão, que tem um filme dentro do filme. É a articulação entre a história pessoal, de uma familia, e de um país, aliada a um filme sobre Berlusconi e os últimos 30 anos em Itália que trata o novo filme de Moretti. Com uma realização bastante ágil, o realizador alterna a vivência pessoal de Bruno com a existência profissional, isto é assistimos a uma alternância entre imagens do filme que está a ser idealizado, e o próprio filme que estamos a assistir. Nunca um filme de Moretti foi tão declaradamente político, mas desengane-se quem pensa que este é um filme que apenas vive dessa associação com a política. Estamos perante um produto que representa bem a responsabilidade social que o cinema também deve ter sem, contudo, fazer campanha política. Numa altura em que vivemos numa era de desencanto face a quem nos representa, numa era em que se questiona o que é de facto ser de esquerda ou ser de direita e quais as verdadeiras diferenças entre ambas as facções, esta é a história de uma familia e de um país que não está assim tão longe da nossa realidade. Não sendo uma obra prima, nem sequer o melhor filme do realizador, destacam-se os diálogos das personagens e a boa interpretação do protagonista.

domingo, abril 29, 2007

Indie Lisboa 2007 - Dia 11 (29/04) - último dia
"Forever" + balanço final

O último dia do festival decorre num ambiente mais pacífico, menos competitivo e agitado. É o dia em que todas as decisões já estão tomadas e resta aos espectadores ver ou rever os filmes premiados. Este é o dia em que vê-se menos o público habitual do festival e aparecem algumas caras novas, curiosas quanto aos premiados.

"Forever" recebeu o prémio dos votos dos espectadores. Nada fazia prever, uma vez que durante praticamente todo o festival era "The U.S. Vs John Lennon" o potencial vencedor (podemos acompanhar sempre essa votação no decorrer do festival). Aliás, este filme passou apenas 2 vezes e em horários pouco famosos, e foi certamente a sessão das 18:30 de dia 28, que terminou apenas 1h30 antes da sessão de encerramento, que veio alterar a ordem das coisas. O prémio atribuido pelo público a este filme apenas prova que a maioria do público não se deixou levar pela facilidade de votar em filmes mais acessiveis (mas igualmente bons) como "Shortbus" ou "The Hottest State", e premiou uma obra poética, com um ritmo muito próprio e com uma temática muito pesada - a morte. Na realidade este é um documentário que tem como cenário o famoso cemitério de Père-Lachaise em Paris, onde estão sepultados famosos como Oscar Wilde, Marcel Proust, Maria Callas, Edith Piaf, Jim Morrison, entre outros. Ao longo de hora e meia a realizadora aborda algumas das pessoas nesse cemitério que nos falam da sua relação com a arte, e com a morte. Alguns vão apenas visitar um familiar, por a conversa em dia, limpar e arrumar a campa, procurar um pouco de isolamento e de silêncio. Outros, vão visitar as campas dos famosos, que de uma forma ou de outra mudaram a sua vida. Todos têm histórias interessantíssimas para contar. Todos têm um olhar triste e nostálgico. Em alguns casos acompanhamos mesmo um pouco das suas vidas, e de que forma estão ligados a uma determinada personalidade enterrada ali. É o caso de uma pianista cujo pai já falecido era fã de Chopin, do pintor que aos 20 anos não entendeu a obra de Proust, mas que aos 35 lhe mudou a vida, de um homem que ganha a vida a embalsemar mortos, etc. É um documentário que alia a arte, um dos expoentes máximos da vida, à morte e à forma como quem cá fica lida com essa realidade.
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Terminou mais um Indie Lisboa, nesta sua 4ª edição. Mais uma vez se comprovou que Lisboa precisa de um festival de cinema assim, que com o passar dos anos se vai impondo e que teve este ano cerca de 35 mil bilhetes vendidos. É certo que o público deste festival em grande medida é o que está mais disponível, jovens urbanos e universitários, mas ao longo desde 11 dias pôde constatar-se que há muitos outros públicos que procuram este festival. Destaque positivo para toda a organização, para a existência pela primeira vez de uma bilheteira central, da existência de um Indie Bus que ligou o Fórum Lisboa ao S. Jorge, o regresso a essa mítica sala, e que bem que se estava no café do cinema, e na esplanada com vista para a Av da Liberdade. Apenas a apontar negativamente o Indie Bus ser tão pequeno (responsabilidade da Carris), não ter existido festa de encerramento no S. Jorge que de certo é da responsabilidade da Câmara (foi um pouco abrupto o final, dado que após a sessão de encerramento, e ao contrario dos outros dias, a festa apenas continou na Gare Maritima de Alcantara) e não ter existido ligação entre o S. Jorge e a festa em Alcântara (provavelmente também responsablidade da Carris). Mas como se costuma dizer relativamente ao Vinho do Porto, quanto mais velho melhor, e que venha o 5º Festival Indie Lisboa 2008!

Indie Lisboa 2007 - Dia 10 (28/04)

"La Antena", "Elvis Pelvis" e "Death of a President" + Sessão de encerramento (vencedores)

No King 3 passou "La Antena" do argentino Esteban Sapir, um dos filmes que tem estado sempre no top 5 do público, e que faz parte da secção Director's Cut. De facto, este é um dos filmes mais originais que já vi passar pelo Indie Lisboa, quer na sua realização, como na montagem, representação, argumento, etc. Inspirado no cinema mudo de Murnau, Eisenstein, entre outros, o filme é filmado a preto e branco, quase sem diálogo audíveis (como no cinema mudo) e com muita imaginação a fazer lembrar o imaginário de filmes como "A Cidade das Crianças Perdidas" ou "Delicatessen", embora na sua essência sejam completamente diferentes. Mas se a forma de filmar é antiga, a temática é muito contemporânea, desde o totalitarismo, ao consumismo, passando pelos monopólios que ainda hoje temos em alguns países. A história passa-se numa cidade futurista, século 30. Mr TV é um homem poderoso que através da televisão (e dos produtos que dela derivam) tenta monopolizar as vontades das pessoas, primeiro roubando-lhes a voz (e daí que não ouçamos o que digam, apenas lemos na imagem), depois tenta retirar as palavras e o sentido que lhes dão, tendo como objectivo controlar e dominar a consciência das pessoas. Mas a luta que um homem e a sua família travam contra ele, vai alterar o rumo das coisas. Estamos perante um verdadeiro Big Brother no sentido que Orwell lhe dava. http://www.laantena.ladoblea.com

Depois, no King 2 passou o filme "Elvis Pelvis", do realizador Kevin Aduaka. Filme da secção laboratório encerra em si a definição "Um espaço para arriscar (...) filmes de realizadores que trabalham em absoluta liberdade.". Na verdade este é um filme pouco descritivel. Está dividido em duas partes, na primeira conhecemos uma criança negra, Derek, a quem o pai chama Elvis,querendo à força que este se comporte como o rei do rock. Já o filho preferia parecer-se mais com Jimi Hendrix, seu ídolo. Essa vontade vai ter consequências gravissimas. Já na vida adulta, e numa segunda parte do filme, Derek tem de lidar com os seus fantasmas, e acompanha os últimos dias daquele que supomos ser seu pai adoptivo (mas que pode ser o seu verdadeiro pai). Um filme sobre quem gostariamos de ser, sobre a morte, sobre a imortalidade dos ídolos.

A sessão oficial de encerramento, no S. Jorge, na qual foram apresentados os prémios, estreou o filme "Death of a President", do britânico Gabriel Range. O filme ficciona a morte do actual presidente dos EUA, George W. Bush, e de que forma a investigação se processou. Oportunidade para colocar a nú algumas das fragilidades da administração Bush, num filme que é totalmente politizado e que de ficção provavelmente só terá a morte do presidente. Ideia bastante original, apresentada como se um documentário sobre a morte de Bush se tratasse, como depoimentos de elementos do seu staff, FBI, do eventual assassino e respectiva familia. O filme adiciona ainda imagens reais de Bush e de Dick Cheney, excertos de discursos, etc, e recria de forma muito verosímil o cenário da morte do presidente dos EUA. Posto isto, o filme não tem muito mais para apresentar além das habituais teorias da conspiração demasiado presentes noutros filmes, séries e até media. Vale pela curiosidade de ver como foi possivel simular e manipular a morte de Bush, com imagens do próprio, mas dispensa-se pelo argumento que se arrasta como se o filme tivesse várias horas (e só tem hora e meia).

A sessão final decorreu com normalidade, os vencedores foram apresentados, destacando-se "El Amarillo" e "Love Conquers All" como vencedores do prémio do juri internacional, "Falkenberg Farwell", prémio da crítica, "Pas Douce", prémio de distribuiçao, "Forever", prémio do público, e "Half Moon", prémio da Amnistia Internacional. Mas os prémios valem o que valem e filmes como "Le Dernier Fous" ou "Analog Days" (falando apenas da competição) já ganharam lugar na minha cinematografia de eleição. As sessões decorrem no King, Londres e F. Lisboa durante domingo.

sábado, abril 28, 2007

Indie Lisboa 2007 - Dia 9 (27/04)
"Big Bang Love, A Juvenile" e "Pas Douce"

O novo filme de Takashi Mike, "Big Bang Love, a Juvenile", que habitualmente está mais presente no Fantasporto, esteve na secção Observatório no S. Jorge. Trata-se de um filme, ao estilo deste realizador, com imagens muito violentas, sangrentas e por vezes dificeis de digerir, mas que escondem um lado sensivel, emotivo e lirico. Esta é uma nova forma de fazer cinema, a que o realizador nos tem habituado, forma ousada e perfeitamente discutivel. O filme é consituido por algumas imagens de uma beleza incontornável. Tendo como protagonistas dois pólos opostos, Jun que é de uma delicadeza feminina, e que trabalhava num bar gay até ter morto um cliente, e Shiro, um homem violento e muito masculino, somos levados a crer que o primeiro matou o segundo, e sentimo-nos arrastados para uma historia labirintica em busca do quem e do porquê dessa morte que se vem a perceber que não é tão óbvia. Um filme pouco convencional e intensamente envolvente.
À noite na mesma sala, o Indie abriu as portas de uma sala maior para um filme de competição pelo facto de haver uma ligação do filme a Portugal. "Pas Douce", da realizadora Jeanne Waltz, não é uma co-produção portuguesa. A realizadora vive em Portugal e uma das actrizes é emigrante em França. Ambas estavam presentes na sala e falaram um pouco sobre esta história muito pouco convencional. Fred é uma rapariga revoltada com a vida, enfermeira de profissão, é bruta na forma como fala e como age (está sempre de pé atrás, como a dada altura é dito em português). Emocionalmente instável, Fred tenta suicidar-se, mas acaba por alvejar uma criança que mata pássaros com uma fisga e que também está de costas voltadas para o mundo. Ambos vão encontrar-se no hospital, sem que este suspeite que ela é a razão de estar ferido. Esse é o ponto de partida para uma história de afectos dificeis, mas cuja sensibilidade está quase sempre a sair-lhes da pele. Contrariando o título do filme podemos dizer que há muita doçura no filme.

Indie Lisboa 2007 - Dia 8 (26/04)
"Le Dernier des Fous" e "Shortbus"

Na quinta-feira passou na sala 1 do King uma das grandes surpresas do festival, e da competição internacional, "Le Dernier des fous" de Laurent Achard. Trata-se de um dos filmes mais bonitos que alguma vez vi. Assistimos à desintegração de uma família pelos olhos de uma criança de 11 anos. A mãe da criança é o motivo desse estado, está fechada no quarto há tempo indeterminado com uma qualquer doença mental que a impede de ver pessoas e sair; o irmão mais velho, companheiro de brincadeiras, poeta incompreendido e não correspondido no amor, dedica-se ao alcool; o pai assiste impotente a este declinio, arriscando-se a perder a quinta onde vivem; a avó é uma pessoa austera e sem o minimo de compaixão. A única companhia de Martin é a governanta que o vê como um filho. Ninguém comunica nesta familia, o vazio em que vivem ano após ano impede-os de continuar e de comunicar. Grande interpretação do jovem Martin, rapaz um pouco apático e pouco expressivo, quase autista, mas com um olhar intenso, provocador e sensível ao mesmo tempo, de quem sentimos um misto de compaixão e de medo. Só ele pode mudar a ordem das coisas e acabar com tudo. Ele é o último dos loucos.
http://www.advitamdistribution.com/fiche.php?film_id=73

"Shortbus", de John Cameron Mitchell, que passou nessa noite na sala principal do S. Jorge, é outra das supresas do dia. É um filme verdadeiramente alucinante, contagiante, surpreendente, chocante. O filme foi comprado pela Lusomundo, tem estreia marcada para 3/05 e acredito que vá chocar muita mente puritana. Várias histórias se cruzam ao estilo "Magnólia", a da terapeuta sexual que não consegue ter um orgasmo com o marido, a do casal gay que pretende passar a uma nova fase da sua relação, a da dominatrix que não consegue manter relacionamentos... culminando todos numa festa semanal chamada Shortbus, onde se concentra arte, música, política, desejos e fantasias sexuais de todas as espécies e feitios. O filme é de uma originalidade e ousadia pouco vistas no cinema americano (mesmo o mais independente), é extramamente explícito mas não cai na vulgaridade porque tudo está perfeitamente contextualizado. A verdadeira revolução sexual está aqui. Provavelmente esta ficção vai levar ao cinema pessoas ao engano julgando que se trata de uma comédia ao estilo American Pie, ou levará o publico errado que apenas quer ver sexo. O filme tem tido criticas desde o péssimo até à obra prima. Arrisco dizer que está algures nessa escala. Provavelmente será o novo hype da juventude dita alternativa, e embora diga isso com alguma ironia, o filme tem de facto qualidade, conciliando o desejo carnal e sexual, às necessidades de um amor profundo.

sexta-feira, abril 27, 2007

Indie Lisboa 2007 - Dia 7 (25/04)
"The Hottest State", "Analog Days" e "Viva"

Ethan Hawke + Before Sunrise e Before Sunset + juventude = "The Hottest State". O feriado do 25 de Abril foi pretexto para a sala do Fórum Lisboa lotar para ver esta obra de Ethan Hawke, escritor do livro que originou o filme, responsável pela adaptação do livro a filme, realizador, participação especial como actor. Trata-se de uma pelicula que herdou dos filmes de Richard Linklater ("Before Sunrise" e "Before Sunset") os diálogos sobre tudo e sobre nada, sobre a origem das coisas, sobre a morte, sobre a vida, sobre a amizade e o amor. Esta é a história de um jovem actor de 21 anos que se apaixona perdidamente por uma cantora complexa (interpretada por Catalina Sendeno Moreno, que recentemente vimos em "Fast Food Nation"), numa altura em que está a descobrir o que quer fazer da vida, e numa fase em que se vê perante a necessidade de tomar decisões mais estruturadas. Estamos perante uma obra simples que fala do primeiro verdadeiro amor, da dificuldade de manter uma relação, do espaço necessário à sobrevivência, e sobre o ar que cada um de nós deve continuar a respirar. Não caindo no facilitismo (embora tenha alguns clichés tipicos da pós adolescência americana), é com sensibilidade que Ethan Hawke faz uma abordagem sensível dos afectos.
Seguidamente, na mesma sala, "Analog Days", de Michael Hott, aproxima-se do universo de "Falkenberg Farewell" e de "The Hottest State", no que diz respeito à abordagem da juventude, do sentido da vida, da necessidade de tomar decisões sobre o futuro, e sobre a passagem do tempo que nao volta para trás. Este filme, em competição, apresenta-nos um grupo de amigos que terminou a escola secundária e divide o seu tempo numa escola profissional, part-times, etc, como que ocupando o tempo até tomarem uma decisão mais radical na sua vida. Os meses passam e conhecemos este grupo, como passam os dias, o que desejam, os seus anseios, desejos, angústias. Pode parecer muito repetitivo e um assunto demasiado batido, mas esta abordagem apesar de tudo consegue acrescentar mais um pouco às teorias da passagem da adolescência à vida adulta. O filme fala-nos também da vontade de querer mudar o mundo quando somos jovens, mas também da incapacidade que demonstramos em nos movermos para realmente mudar o que criticamos, a diferença entre estar parado e avançar. Por enqunto a vida destes jovens está em suspenso. Destaque para a banda sonora do filme constituida por Elliott Smith, Joy Division, New Order, Interpol, Clap Your Hands Say Yeah ou Bloc Party.

Por fim,à noite e já no S. Jorge, "Viva" surpreende-nos. Quando tive acesso à descrição do filme julgava estar perante um documentário sobre a emancipação da mulher, aproveitando a boleia da revolução sexual. Estava enganado, o filme é de facto sobre essa temática mas é pura ficção, e da mais original. Filmado em cenários que recriam o ambiente dos anos 70, o kitch, as cores berrantes, os penteados, as roupas, conta-nos a história de Barbi (uma autêntica Barbie que parece saida de uma revista Playboy da altura), é uma dona de casa submissa e entediada, que vai viver a revolução sexual que os EUA assistiram na época. Com uma realização muito próxima dos filmes eróticos dos anos 70, "Viva", realizado pela própria protagonista (Anna Biller), é uma agradável surpresa. Embora muito original, o filme acaba por tornar-se um pouco repetitivo e arrasta-se durante algum tempo (a duração é 120 minutos).

http://www.lifeofastar.com/viva.html

Indie Lisboa 2007 - Dia 6 (24/04)
"Falkenberg Farewell" e "Fay Grim"

A nova Sala 2 do S. Jorge (mais arejada, mais espaçosa, melhor som), abriu as portas a um filme que tem sido apontado como dos favoritos ao principal galardão deste festival. Falo de "Falkenberg Farewell" do sueco Jesper Ganslandt. Esta é história de um Verão que podia ser como muitos outros, mas que esse ano foi diferente. Conhecemos um grupo de amigos de longa data que vivem numa terra pouco desenvolvida da Suécia, como passam o tempo, como convivem, o que fazem da vida... Este um filme muito poético, narrado por um dos intervenientes, e que nos fala da passagem do tempo por nós, das decisões que temos que tomar, dos vazios que urge que sejam preenchidos, da vontade de mudar, porém, também nos fala do medo de encarar a mudança. Diz quem conhece a Suécia, que estes jovens lá são mesmo assim, mas após visionar o filme a semelhança com a juventude de qualquer parte do mundo é evidente. Filme de uma beleza incontornável (embora mediano na sua globalidade), foge aos clichés de sexo, drogas, violência próprios de filmes do género, para se concentrar na relação deste grupo de amigos e a sua latente despedida.
À noite "Fay Grim", o tão esperado regresso de Hal Hartley, passou na sala 1 do S. Jorge, com a presença do realizador. O filme parte de personagens do filme "Henry Fool", mas inicia uma história independente que apenas faz alusão ao passado das personagens no anterior filme. Fácil de acompanhar, portanto, por quem nunca viu o anterior. O estilo de Hartley é inconfundivel, uma história entrelaçada com várias outras histórias, personagens nervosas e que falam muito rapidamente, muita coisa a acontecer em simultâneo (uma realização completamente oposta à do filme da tarde). Com a utilização de um humor muito inteligente, e de um constante tom irónico, o filme troça dos filmes de espionagem e conspiração internacional a que estamos habituados no cinema americano. A interpretação da protagonista, Parker Posey (no papel de Fay Grim) é brilhante, e o ritmo da realização estonteante. Peca pela sua duração (quase 2 horas), porque muito do que foi dito e feito podia ter sido tratado em menos tempo.