segunda-feira, março 19, 2007

Todo o mundo é composto de mudança

ipod, mp3, pen, blog, myspace, youtube, torrent, divx, podcast ...
novas linguagens, novos conceitos, novas tecnologias, novas formas de estar e de sentir

domingo, março 18, 2007

Nova RTP2
http://rtp2.rtp.pt

O canal 2 da RTP volta a denominar-se RTP2 a partir de amanhã.
Em Janeiro de 2004, e após alguns meses de incertezas quanto ao futuro do segundo canal, este blog dava aqui as boas vindas a essa nova fase do canal. No geral pouca coisa mudou em 3 anos e 3 meses, só não há mais Sete Palmos de Terra... outras virão. Para já, está no ar Serviço de Urgências (série 9), esta semana estreia Brothers and Sisters (entre outros com Rachel Griffiths - a Brenda de Sete Palmos de Terra), e futuramente Os Sopranos (última temporada).
O documentário Lisboetas, passa na próxima quinta-feira.

sábado, março 17, 2007

Half Nelson - Encurralados, de Ryan Fleck

Encurralados, é mais um filme indie americano, que chega às nossas salas. Daniel Dunne é um professor branco, de classe média, que ensina História num gueto negro de violência e droga de Brooklyn. Não, não se trata de uma espécie de "Mentes Perigosas" nem Ryan Gosling é Michelle Pheiffer em busca da redenção dos alunos. Interessado em mostrar aos seus alunos que a História não é só decorar datas, Daniel Dunne tenta ensinar que a compreensão da História, os permitirá entender os movimentos sociais e políticos, a sua evolução e a sua própria definição e identidade no mundo social. Determinado em ajudar-los a percepcionar o mundo que os rodeia, o seu contexto e a interligação entre o passado e o momento que vivem, Dunne, que é também treinador da equipa feminina de basquetebol da escola, esconde que se procura a si próprio, uma vez que ele mesmo está preso a convenções, tradições, preconceitos. Estamos perante um homem que é incapaz de escapar à depressão, de lidar com a realidade e que facilmente falha. O maior problema deste homem é não conseguir estabelecer a sua própria dialéctica com o mundo. Para lidar com essa sua incapacidade está viciado em Crack Cocaine, situação que acaba por ser descoberta por uma das suas alunas, Drey (Shareeka Epps) filha do tal gueto de violência e droga, relativamente ao qual tentar não pertencer. Embora provenientes de realidades diferentes, ambos têm em comum estar encurralados. Não é, pois, de estranhar o título português dado ao filme (ao contrário do que tem sido hábito). Half Nelson é uma posição do Wresling em que uma das partes fica imobilizada, sem possibilidade de escape. Destaque para a banda sonora, constituida por algumas músicas dos Broken Social Scene, e que pode ser ouvida por completo no site do filme, por sinal muito bem elaborado.
Este é um pequeno filme que demonstra que a América também é capaz de pôr o dedo na ferida sem demasiado alarido e grandes orçamentos.

terça-feira, março 13, 2007

Little Children

Pecados Intimos, tradução que nada faz jus ao filme em questão (sim de facto são pecados, sim, de facto são intimos, mas porquê criar titulos tão óbvios?!...) é um dos mais recentes filmes da chamada produção independente norte-americana. Realizado e escrito por Todd Field (que curiosamente é actor em algumas conhecidas séries de TV), baseia-se num romance intitulado "Little Children" retratando a vida de um bairro suburbano, nomeadamente a forma como uma pequena comunidade lida com a presença de um pedófilo acabado de sair da prisão, mas centrando-se na história de duas grandes "pequenas" crianças que estão num estado de anomia e apatia avançados. Kate Winslet e Patrick Wilson são dois donos de casa desesperados... ela mulher ressabiada, infeliz, com um marido viciado em sexo on-line; ele homem que toma conta da casa e do filho, com uma mulher alheia, está desempregado e não consegue passar no teste da Ordem dos Advogados. Ambos não cresceram, e a prova é que são incapazes de arriscar, de assumir e de se impor. Ainda assim, a parte final do filme pode ser vista como uma redenção para as personagens, que acabam, por força de circustâncias, crescer à força (fica em aberto se finalmente largaram os baloiços da infância). O filme pouco acrescenta em termos de novidade movendo-se naquele que é um universo que tem sido amplamente divulgado por este tipo de produção, e de certa forma deixa uma certo sabor a ideia boa mas pouco aproveitada. Destaque para a narração em voz off, que confere alguma credibilidade à história. Uma ressalva também para o exagero hollywoodesco em torno da interpretação de Kate Winslet, uma bela e competente actriz, mas que, por favor, não continuem a tentar encaixar nessa máquina de premiar chouriços que são os Óscar.

domingo, março 11, 2007

Os 50 anos da televisão


Comemora-se este ano o aparecimento da televisão em Portugal. Confessado fã desse aparelho mágico que muitas vezes mudou a minha vida, impus a mim mesmo dizer qualquer coisa sobre o assunto. Em Portugal televisão confunde-se naturalmente com RTP, que durante 35 anos foi filha única. Dos 50 anos que agora se comemoram, apenas vivi 25 (5 deles a preto e branco que já não recordo), muitos dos quais tendo esta caixa como companhia. Não tenho pretensões de lhe fazer elogios, de a enaltecer, de usar clichés como "a História de Portugal confunde-se com a História da RTP" ou "a RTP foi e é o espelho da sociedade portuguesa" ou mesmo cantarolar o novo hino e associar-me a estes repentinos nacionalismos e consensos em torno da RTP, atitudes que são tão próprias dos portugueses. Tenho sérias dúvidas se a RTP presta de facto um serviço público a quem a paga e prefiro pensar nela como o veiculo que trouxe (e ainda o faz) até mim alguns dos momentos mais nostálgicos da minha vida, como espectador. Assim, relembro aqui alguns dos nomes que fazem parte da sua e da minha história: "O Justiceiro", "Macgyver", "Agora Escolha", "A Roda da Sorte", "Herman Enciclopédia", "Era uma vez a vida...", "Era uma vez o espaço...", "Jornalinho", "Clube dos Amigos Disney", "Caderno Diário", "Rua Sésamo", "123", "Marés Vivas", "Beverly Hills 90210", "Alf", "Quem Sai aos Seus", "Top+", "Sete Palmos de Terra", "OS Sopranos", "Espaço 1999", "Os Amigos de Gaspar", "Os Simpsons", filmes como "ET", "Regresso ao Futuro"... entre muitos outros programas, séries e filmes. Naturalmente que muitos dos conteúdos referidos só fizeram sentido no contexto em que foram visionados (no ano em que foram vistos e com a idade que tinha), outros permanecem até hoje como referência. Têm em comum terem acompanhado o meu crescimento ao longo de 25 anos.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Simpsonzu
E se os Simpsons fossem manga (bd japonesa)?


A autora é Space Coyote, uma artista japonesa que resolveu desenhar Os Simpsons com características de banda desenhada manga, olhos e boca grandes e aspecto asiático. A autora entretanto foi convidada pelos responsáveis da versão BD da série, para desenhar uma versão manga. Futurama também não escapou à brincadeira e a autora já foi convidada a participar na produção da nova temporada da série (ver mais imagens no site).





domingo, fevereiro 18, 2007

Nem tudo tem de acabar...

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Arcade Fire: "Neon Bible"
está em repeat no leitor e na minha cabeça

O novo álbum dos Arcade Fire é lançado em Março mas já se ouve por aí. O primeiro single será Black Mirror, mas uma das melhores músicas é Keep the Car Running que pode ser ouvida aqui. Destaque ainda para No Cars Go, Intervention mp3 e Ocean of Noise. Gravado numa igreja comprada para o efeito, para uma melhor acústica, o disco que sucede ao genial Funeral é de boa digestão. Com o passar dos dias o disco apodera-se das nossas entranhas e não quer mais sair. Pode ser que este ano toquem numa sala de espectáculos portuguesa... ou numa qualquer igreja!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Sondre Lerche, "Phantom Punch"
Lançamento a 12/02/2007


O novo álbum de Sondre Lerche sai a 12 de Fevereiro mas já toca por estes lados.
Simplesmente viciante e já um dos melhores discos do ano (a par do álbum de Andrew Bird).



Ouvir e ver algumas das músicas deste e dos álbuns anteriores no site oficial.

domingo, fevereiro 04, 2007

Stranger Than Fiction
de Marc Forster, com Will Ferrel, Maggie Gyllennaal, Emma Thompson...

Harold Crick (Will Ferrel) é um funcionário das finanças, com uma vida rotineira, regrada, com hábitos extremamente enraízados e cujo dia-a-dia é cronometrado ao segundo pelo seu relógio. Harold vive, come e dorme sozinho. A sua vida é monótona e pouco criativa. Até ao dia que Harold começa a ouvir uma voz que descreve com precisão tudo o que acabou de fazer, com detalhe dos seus pensamentos mais intimos, as suas opiniões, voz essa que fala sob a forma de narrativa, como se estivesse a ler ou escrever um livro. Na verdade, há de facto alguém (Emma Thompson) que está a escrever um livro sobre Harold, mas que nem sequer sabe da sua existência e que atravessa uma grande crise de criatividade que se prende precisamente com a necessidade de arranjar um final para o seu livro, um fim no qual o protagonista morre (como em todos os seus livros). Stranger Than Fiction (em português chama-se ridiculamente "Contado Ninguém Acredita"), realizado por Marc Forster, é um dos mais originais filmes dos últimos anos, no seguimento do cruzamento entre realidade e ficção de filmes como "O Despertar da Mente" ou "Queres ser John Malcovitch". O argumentista, aliás é muitas vezes comparado a Charlie Kaufman, escritor dos dois referidos filmes.
Estamos perante uma história interactiva que tem o seu expoente máximo quando o narrador e a personagem principal se encontram e os dois mundos colidem. A história tem os seus altos e baixos, e o final do filme é muito discutivel. Este é um filme que se acabasse 10 minutos antes do fim seria perfeito, embora duro, cruel e possivelmente deixaria nos espectadores um amargo de boca muito grande. Mas como quase todos os filmes americanos, é necessário um Happy Ending e o que foi encontrado para este filme, apesar de tudo, não deixa de ser criativo e de certa forma consegue resultar. Ainda assim desilude, como também desiludiu a autora do livro e o professor de literatura (que ajudou Harold a desmistificar o que se passa). Esta é uma história que parte de uma excelente ideia que nem sempre se concretiza. É daquelas narrativas que imagino resultar perfeitamente em livro mas cuja transposição para o grande ecrã carece de mais engenho e arte. Todavia, é um bom filme. Destaque para a banda sonora, que ajuda em muito a dinâmica do filme e que consegue viver sem o suporte visual, como disco autónomo.

sábado, fevereiro 03, 2007

Andrew Bird - "Armchair Apocrypha"

Lançamento: Março 2007

Ouvir duas das músicas do álbum: "Heretics" e "Scynthian Empire" em http://www.myspace.com/andrewbird

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Carla Bruni - "No promises"
O canto da sereia


Quem dera acordar todos os dias com a sua voz a sussurrar nos ouvidos, olhar para o lado e ver esta menina de guitarra a colo a erradiar raios de sol logo de manhã. Mas isso não seria viável porque significava nunca sair da cama. Está de volta Carla Bruni, a mulher, a ex-modelo, a cantora. Desta vez sussura em inglês e não em francês como no anterior disco, mas o charme mantém-se. "Those Dancing Days Are Gone" é o primeiro single do novo "No promises".
William Butler Yeats, Wystan Hugh Auden, Christina Rosseti, Walter De La Maré, Emily Dickinson e Dorothy Parker são os autores que Carla Bruni trabalhou neste álbum.
Eis o convite da artista para ouvir o álbum (embora eu não goste muito de a partilhar).

domingo, janeiro 28, 2007

Fast Food Nation, de Richard Linklater


Richard Linklater, realizador de "Geração Fast Food" é o responsável por filmes como "Before Sunrise" e "Before Sunset" e por alguns dos projectos mais originais em termos de linguagem visual que têm surgido nos últimos anos em cinema, nomeadamente "Waking Life" e "A Scanner Darkly". Além do facto de ser um confesso admirador dos seus filmes, a temática da Fast Food que já me havia levado a ver "Super Size Me", suscitou-me novamente interesse. O facto do filme estar no Cinema Nimas foi igual móbil para o ir ver, porque mesmo que tente pôr de parte alguns preconceitos, o Nimas costuma albergar filmes de qualidade comprovada. Neste filme assistimos à recriação de uma cadeia de hamburguers similar à Macdonald's, a Mickey's, que tem como produto estrela, o Big One, uma espécie de Big Mac, que é a jóia da coroa da empresa. A desconfiança de que há porcaria na carne, leva o vice presidente da empresa até ao local de onde a dita carne é proveniente. Esse é o mote que nos conduz até ao cenário do filme, e nos permite aceder a um contexto de produção capitalista e todas as consequências que uma produção que apenas visa o lucro pode ter: os baixos custos de produção, as más condições higiénicas, a mão de obra barata, etc. O filme retrata os destinos de três personagens: o vice presidente da cadeia de restaurantes, um empregada adolescente de um dos restaurantes da cadeia e um conjunto de imigrantes clandestinos que trabalham no matadouro. Essas três histórias não chegam a entrelaçar-se directamente, ainda que os seis intervenientes partilhem o mesmo ambiente. Também nenhuma das histórias chega a ser propriamente aliciante, faltando algum tempero a esta carne... O filme rotula-se como "o mais político dos filmes, dos últimos tempos depois dos filmes de Michael Moore". Apesar da parte final do filme apresentar cenas reais de um matadouro que revelam uma brutalidade sem descrição, cumprindo a missão de escandalizar, não sei se chega a atingir de facto o espectador. Acredito que esta visão parcial impele cada um de nós a informa-se cada vez mais e a tirar as suas próprias conclusões como também acredito que essa pode ser uma das missões do cinema, além da sua função primordial de entretenimento.

sábado, janeiro 27, 2007

Discos Voadores
Incógnito, 26/01/2007

Em mais um aniversário desta exma menina, ouviu-se disto, no Incógnito.
Momento embaraçoso da noite: ter de explicar a várias pessoas que os Cansei de Ser Sexy (CSS) não é do género Banda Eva... equivoco no qual andei eu próprio durante meses...
Das 90 e tal músicas da noite o barco foi abandonado lá pela 60ª com muitas dores nas costas, rouquidão e com um frio de rachar lá fora à espera...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Scoop, de Woody Allen
com Woody Allen, Scarlett Johansson, Hugh Jackman

Estamos de volta ao grande dilema (anual) de avaliar mais um filme de Woody Allen.
Scoop junta novamente Woody Allen a Scarlett Johansson, desta vez contracenando. Como é hábito há 2 eixos de crítica que são basilares na ánalise de um filme de Allen, a comparação com o filme anterior, e as associações que se possam encontrar com filmes passados. Assim, e fazendo jus a esse modelo de análise pouco imaginativo e repetitivo, podemos dizer que Johansson está bem e recomenda-se, incorporando as neuroses, tiques e manias de Allen. A actriz contracena aqui com Allen fazendo lembrar Diane Keaton nomeadamente em "O Misterioso Assassinio em Manhattan" filme que também abordava a temática do assassinato. Woody Allen, regressa a um papel de humor mais fisico, lembrando as suas primeiras obras como "O Heroi do ano 2000", o eterno desastrado e desajeitado, o bôbo das cartas de Tarot.
A magia e o ilusionismo estão de regresso após "A Maldição do Escorpião de Jade". Neste liquidificador alleniano onde se misturam vários ingredientes tipicos, o resultado é agradável, ainda que esteja longe de ser um filme genial. Não sou de opinião que a fasquia estava demasiado elevada com o antecessor "Match Point" e que "Scoop" seja uma desilusão. "Scoop" é um filme radicalmente diferente do anterior, ainda que o ambiente londrino e aristocrata faça lembrar "Match Point" bem como ser protagonizado pela mesma actriz. Mas "Scoop" (gosto do nome, por isso o repito tantas vezes) é um bom filme de Woody Allen.
Apenas nota menos positiva para o desfecho um pouco atabalhoado do filme. Como já vem sendo hábito, Allen parece que tem sempre pressa de acabar o seu filme quando chega aos 80 e tal minutos, e isso nem sempre contribui para um final digno.
Manhattan já começa a deixar saudades, mas venha o próximo, passado em Espanha.