quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Arcade Fire: "Neon Bible"
está em repeat no leitor e na minha cabeça

O novo álbum dos Arcade Fire é lançado em Março mas já se ouve por aí. O primeiro single será Black Mirror, mas uma das melhores músicas é Keep the Car Running que pode ser ouvida aqui. Destaque ainda para No Cars Go, Intervention mp3 e Ocean of Noise. Gravado numa igreja comprada para o efeito, para uma melhor acústica, o disco que sucede ao genial Funeral é de boa digestão. Com o passar dos dias o disco apodera-se das nossas entranhas e não quer mais sair. Pode ser que este ano toquem numa sala de espectáculos portuguesa... ou numa qualquer igreja!

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Sondre Lerche, "Phantom Punch"
Lançamento a 12/02/2007


O novo álbum de Sondre Lerche sai a 12 de Fevereiro mas já toca por estes lados.
Simplesmente viciante e já um dos melhores discos do ano (a par do álbum de Andrew Bird).



Ouvir e ver algumas das músicas deste e dos álbuns anteriores no site oficial.

domingo, fevereiro 04, 2007

Stranger Than Fiction
de Marc Forster, com Will Ferrel, Maggie Gyllennaal, Emma Thompson...

Harold Crick (Will Ferrel) é um funcionário das finanças, com uma vida rotineira, regrada, com hábitos extremamente enraízados e cujo dia-a-dia é cronometrado ao segundo pelo seu relógio. Harold vive, come e dorme sozinho. A sua vida é monótona e pouco criativa. Até ao dia que Harold começa a ouvir uma voz que descreve com precisão tudo o que acabou de fazer, com detalhe dos seus pensamentos mais intimos, as suas opiniões, voz essa que fala sob a forma de narrativa, como se estivesse a ler ou escrever um livro. Na verdade, há de facto alguém (Emma Thompson) que está a escrever um livro sobre Harold, mas que nem sequer sabe da sua existência e que atravessa uma grande crise de criatividade que se prende precisamente com a necessidade de arranjar um final para o seu livro, um fim no qual o protagonista morre (como em todos os seus livros). Stranger Than Fiction (em português chama-se ridiculamente "Contado Ninguém Acredita"), realizado por Marc Forster, é um dos mais originais filmes dos últimos anos, no seguimento do cruzamento entre realidade e ficção de filmes como "O Despertar da Mente" ou "Queres ser John Malcovitch". O argumentista, aliás é muitas vezes comparado a Charlie Kaufman, escritor dos dois referidos filmes.
Estamos perante uma história interactiva que tem o seu expoente máximo quando o narrador e a personagem principal se encontram e os dois mundos colidem. A história tem os seus altos e baixos, e o final do filme é muito discutivel. Este é um filme que se acabasse 10 minutos antes do fim seria perfeito, embora duro, cruel e possivelmente deixaria nos espectadores um amargo de boca muito grande. Mas como quase todos os filmes americanos, é necessário um Happy Ending e o que foi encontrado para este filme, apesar de tudo, não deixa de ser criativo e de certa forma consegue resultar. Ainda assim desilude, como também desiludiu a autora do livro e o professor de literatura (que ajudou Harold a desmistificar o que se passa). Esta é uma história que parte de uma excelente ideia que nem sempre se concretiza. É daquelas narrativas que imagino resultar perfeitamente em livro mas cuja transposição para o grande ecrã carece de mais engenho e arte. Todavia, é um bom filme. Destaque para a banda sonora, que ajuda em muito a dinâmica do filme e que consegue viver sem o suporte visual, como disco autónomo.

sábado, fevereiro 03, 2007

Andrew Bird - "Armchair Apocrypha"

Lançamento: Março 2007

Ouvir duas das músicas do álbum: "Heretics" e "Scynthian Empire" em http://www.myspace.com/andrewbird

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Carla Bruni - "No promises"
O canto da sereia


Quem dera acordar todos os dias com a sua voz a sussurrar nos ouvidos, olhar para o lado e ver esta menina de guitarra a colo a erradiar raios de sol logo de manhã. Mas isso não seria viável porque significava nunca sair da cama. Está de volta Carla Bruni, a mulher, a ex-modelo, a cantora. Desta vez sussura em inglês e não em francês como no anterior disco, mas o charme mantém-se. "Those Dancing Days Are Gone" é o primeiro single do novo "No promises".
William Butler Yeats, Wystan Hugh Auden, Christina Rosseti, Walter De La Maré, Emily Dickinson e Dorothy Parker são os autores que Carla Bruni trabalhou neste álbum.
Eis o convite da artista para ouvir o álbum (embora eu não goste muito de a partilhar).

domingo, janeiro 28, 2007

Fast Food Nation, de Richard Linklater


Richard Linklater, realizador de "Geração Fast Food" é o responsável por filmes como "Before Sunrise" e "Before Sunset" e por alguns dos projectos mais originais em termos de linguagem visual que têm surgido nos últimos anos em cinema, nomeadamente "Waking Life" e "A Scanner Darkly". Além do facto de ser um confesso admirador dos seus filmes, a temática da Fast Food que já me havia levado a ver "Super Size Me", suscitou-me novamente interesse. O facto do filme estar no Cinema Nimas foi igual móbil para o ir ver, porque mesmo que tente pôr de parte alguns preconceitos, o Nimas costuma albergar filmes de qualidade comprovada. Neste filme assistimos à recriação de uma cadeia de hamburguers similar à Macdonald's, a Mickey's, que tem como produto estrela, o Big One, uma espécie de Big Mac, que é a jóia da coroa da empresa. A desconfiança de que há porcaria na carne, leva o vice presidente da empresa até ao local de onde a dita carne é proveniente. Esse é o mote que nos conduz até ao cenário do filme, e nos permite aceder a um contexto de produção capitalista e todas as consequências que uma produção que apenas visa o lucro pode ter: os baixos custos de produção, as más condições higiénicas, a mão de obra barata, etc. O filme retrata os destinos de três personagens: o vice presidente da cadeia de restaurantes, um empregada adolescente de um dos restaurantes da cadeia e um conjunto de imigrantes clandestinos que trabalham no matadouro. Essas três histórias não chegam a entrelaçar-se directamente, ainda que os seis intervenientes partilhem o mesmo ambiente. Também nenhuma das histórias chega a ser propriamente aliciante, faltando algum tempero a esta carne... O filme rotula-se como "o mais político dos filmes, dos últimos tempos depois dos filmes de Michael Moore". Apesar da parte final do filme apresentar cenas reais de um matadouro que revelam uma brutalidade sem descrição, cumprindo a missão de escandalizar, não sei se chega a atingir de facto o espectador. Acredito que esta visão parcial impele cada um de nós a informa-se cada vez mais e a tirar as suas próprias conclusões como também acredito que essa pode ser uma das missões do cinema, além da sua função primordial de entretenimento.

sábado, janeiro 27, 2007

Discos Voadores
Incógnito, 26/01/2007

Em mais um aniversário desta exma menina, ouviu-se disto, no Incógnito.
Momento embaraçoso da noite: ter de explicar a várias pessoas que os Cansei de Ser Sexy (CSS) não é do género Banda Eva... equivoco no qual andei eu próprio durante meses...
Das 90 e tal músicas da noite o barco foi abandonado lá pela 60ª com muitas dores nas costas, rouquidão e com um frio de rachar lá fora à espera...

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Scoop, de Woody Allen
com Woody Allen, Scarlett Johansson, Hugh Jackman

Estamos de volta ao grande dilema (anual) de avaliar mais um filme de Woody Allen.
Scoop junta novamente Woody Allen a Scarlett Johansson, desta vez contracenando. Como é hábito há 2 eixos de crítica que são basilares na ánalise de um filme de Allen, a comparação com o filme anterior, e as associações que se possam encontrar com filmes passados. Assim, e fazendo jus a esse modelo de análise pouco imaginativo e repetitivo, podemos dizer que Johansson está bem e recomenda-se, incorporando as neuroses, tiques e manias de Allen. A actriz contracena aqui com Allen fazendo lembrar Diane Keaton nomeadamente em "O Misterioso Assassinio em Manhattan" filme que também abordava a temática do assassinato. Woody Allen, regressa a um papel de humor mais fisico, lembrando as suas primeiras obras como "O Heroi do ano 2000", o eterno desastrado e desajeitado, o bôbo das cartas de Tarot.
A magia e o ilusionismo estão de regresso após "A Maldição do Escorpião de Jade". Neste liquidificador alleniano onde se misturam vários ingredientes tipicos, o resultado é agradável, ainda que esteja longe de ser um filme genial. Não sou de opinião que a fasquia estava demasiado elevada com o antecessor "Match Point" e que "Scoop" seja uma desilusão. "Scoop" é um filme radicalmente diferente do anterior, ainda que o ambiente londrino e aristocrata faça lembrar "Match Point" bem como ser protagonizado pela mesma actriz. Mas "Scoop" (gosto do nome, por isso o repito tantas vezes) é um bom filme de Woody Allen.
Apenas nota menos positiva para o desfecho um pouco atabalhoado do filme. Como já vem sendo hábito, Allen parece que tem sempre pressa de acabar o seu filme quando chega aos 80 e tal minutos, e isso nem sempre contribui para um final digno.
Manhattan já começa a deixar saudades, mas venha o próximo, passado em Espanha.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Patrick Wolf "The Magic Position"

O novo álbum de Patrick Wolf já saiu. Obrigatório ouvir!
2º single: Bluebells

terça-feira, janeiro 16, 2007

A Ciência dos Sonhos


Este é um dos grandes filmes de 2006, embora só fale nele em 2007. "A Ciência dos Sonhos", de Michel Gondry é uma supresa agradável que nos apresenta o universo dos sonhos, das fantasias, de toda uma parte de nós sob a qual não temos controle. Os sonhos são uma das áreas do oculto e do desconhecido que fazem parte de nós próprios, são uma mistura de contéudos, que vão desde influências da nossa vida diária à nossa vida passada, passando pelo anormal e pelo absurdo. Tudo pode acontecer, basta apenas dar largas à imaginação. Para quem està à espera de uma história com os requintes de argumento do anterior filme realizado por Gondry, "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" ("O Despertar da Mente" que, a propósito, tem uma excelente banda sonora), desengane-se. Este filme não tem a magia e a originalidade da história de Charlie Kaufman, mas se o argumento não é genial, a criatividade vale por si. O envergonhado Stephane (Gael García Bernal) e a tímida Stephanie (Charlotte Gainsbourg) são duas almas desorientadas que se conhecem e tentam amar. O argumento é simples. Já a sua vivência e o universo em que vivem, esse é complexo e confuso. São assim os sonhos. Assim somos nós.

domingo, dezembro 17, 2006

"5:55"
Charlotte Gainsbourg


A Stephanie do filme "A ciência dos Sonhos" (Michel Gondry) lançou um álbum.
Com letras de Jarvis Cocker (Pulp), Neill Hannon (Divine Comedy) e música dos Air.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Boa acção do dia ou um grande momento ecológico

quarta-feira, dezembro 13, 2006

E por falar em Paris...
São dois os filmes, que estão nas salas de cinema, que falam de Paris, passam-se em Paris, ou simplesmente rodeiam-se de Paris.
"Paris Je t'Aime" é um conjunto de 18 mini histórias passadas na cidade (em 18 bairros parisienses), protagonizados na sua maioria por actores conhecidos e realizadores reconhecidos. Na sua globalidade, do filme extrai-se pouco sumo, não há uma coerência ou fio condutor que nos permita olhar para ele como uma soma das partes, e parece que esse era o objectivo, na medida em que o final do filme tenta unir (um pouco à força, diga-se) vários pontos dos vários contos. No entanto, há capitulos bastante interessantes, ainda que demasiado curtos (cada um tem cerca de 8 minutos), o que por um lado deixa uma sensação de insatisfação quando a história é boa, ou alivio quando não o é. Destaque para a curta dos irmãos Cohen, "Tuileries”, protagonizada por Steve Buscemi (o Tony B dos Sopranos), "Quais de Seine”, de Gurinder Chadha que aborda o tema do uso do hijab pelos jovens árabes, “Tour Eiffel”, de Sylvain Chomet sobre a história de dois mimos que se conheceram na prisão e tiveram um filho, e "14ème arrondissement”, de Alexander Payne que relata as férias em Paris de uma senhora que não fala uma palavra em francês.

"Dans Paris" é o novo filme de Christophe Honoré que anteriormente nos tinha brindado com essa pérola de mau gosto que era "Má Mère" com Lois Garrel e Isabelle Huppert. Neste filme, o jovem Louis Garrel junta-se a Romain Duris. Completamente diferente do seu antecessor, Em Paris mantém alguma superficialidade do seu antecessor, acrescenta alguns pós de Nouvelle Vague, e a história é igualmente confusa, mas revela-se muito mais interessante, salientando-se as suas interpretações notáveis. Destaque para Louis Garrel (que já conhecemos também de "The Dreamers") cuja personagem emana uma boa disposição contagiante e uma juventude invejável mantendo o seu tipico tom irónico mas ao contrário do habitual abandonando o tom introspectivo a favor da comicidade. Para o actor ficou reservado o pólo positivo, bem disposto e divertido do filme, em contraponto com o do seu irmão deprimido e infeliz interpretado pelo eterno residente espanhol Romain Duris. Não é fácil entrar na dinâmica do filme, mas a dada altura estamos presos a essa teia que enlaça a história com momentos em que há outros filmes dentro do filme, há narradores participantes, há monólogos, pensamentos e muita música. É um filme pretencioso mas bem intencionado.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

The Gift no CCB
10-12-2006

Em 1998 o single "Ok Do You Want Something Simple" tocava nas discotecas, mas não era um sucesso. A irritante balada "Borrow" dos igualmente irritantes Silence 4 era o sucesso musical do momento no panorama musical português. Não que o single dos The Gift fosse excelente, mas naquela altura significava um abrir de portas para um album que respirava sonoridades que habitualmente não se ouviam por cá. Embora tenha uma relação estranha com este grupo, tem me acompanhado ao longo dos anos. As músicas são tão envolventes que ao fim de algum tempo conseguem sufocar a ponto de passar meses sem os poder ouvir. Foi após um período sabático de Gift que resolvi assistir ao concerto de domingo, 10 de Dezembro no CCB mesmo sem ter ouvido o último álbum. É de louvar que após 8 anos do lançamento do seu primeiro albúm comercialmente editado, esta self made band se mantenha ainda na ribalta a aparentemente com cada vez maior adesão. Os Gift reinventam-se e é nessa logica que o último álbum lançado mais não é que um best of ao vivo cujas músicas se revestem de novas roupagens. Mas essencialmente sempre achei que a banda se dá muito bem em palco e o referido concerto não foi excepção. Dividido em duas partes, uma mais calma, a outra electrizante, o concerto finalizou com uma grande versão de Absolute Beginners de David Bowie (que curiosamente encerrou a Vynil Tour no Coliseu em 1999, concerto no qual estive presente), porque eles afinal, estão apenas a começar...

domingo, dezembro 10, 2006

Volver, de Pedro Almodovar

"Voltar" é o que se pode considerar um mediano filme de Almodovar. Depois dos tão aclamados "Tudo sobre a minha Mãe" e "Fala com Ela" (que para muitos é considerado a obra prima do realizador), "Voltar" prossegue o ambiente mais negro re-iniciado com "Má Educação". Se no filme anterior a religião, a intriga, o mistério e a mentira eram os temas dominantes, desta vez, além da mentira e da religião, o misticismo e o espiritismo norteiam a narrativa que envolve o universo feminino tão próximo do realizador e que o reaproxima da sua terra natal e da sua mãe. Não é relevante que a história do filme não seja brilhante, porque as interpretações das actrizes falam por si (ganharam o Premio de Melhor Interpretação Feminina no Festival de Cannes). Para descobrir um Almodovar menos tenso mas igualmente intenso.