sábado, junho 10, 2006

Jacket Full of Danger
Adam Green

1. Pay The Toll 2. Hollywood Bowl 3. Vultures 4. Novotel 5. Party Line 6. Hey Dude 7. Nat King Cole 8. C Birds 9. Animal Dreams 10. Cast A Shadow 11. Drugs 12. Jolly Good 13. Watching Old Movies 14. White Women 15. Hairy Women

terça-feira, junho 06, 2006

06/06/06

a "besta" faz anos hoje

sábado, junho 03, 2006

VICTORY FOR THE COMIC MUSE
Divine Comedy

O novo álbum dos Divine Comedy, "Victory for the Comic Muse" sairá a 19 de Junho.
1. To Die A Virgin
2. Mother Dear
3. Diva Lady
4. A Lady of a Certain Age
5. The Light of Day
6. Threesome
7. Party Fears Two
8. Arthur C. Clarke's Mysterious World
9. The Plough
10. Count Grassi's Passage Over Piedmont
11. Snowball in Negative

Apesar de não ser a melhor música do álbum aqui fica o primeiro single, "Diva Lady", editado a 12 de Junho.


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segunda-feira, maio 29, 2006

Tradição é tradição!

Apesar dos 34 graus sentidos em Lisboa, resultantes de umas das piores ondas de calor de que há memória, em pleno mês de Maio, a tradição ainda é o que era.

Bife à Portugália + Pastéis de Belém


terça-feira, maio 23, 2006

Lisboetas, de Sérgio Trefaut
Nós... e os outros...

Os lisboetas somos todos nós, que nos esquecemos frequentemente que esta cidade (e mesmo o país), também é composto e feito por estas pessoas.

"Lisboetas" ganhou o Prémio de Melhor Filme Português na primeira edição do IndieLisboa.

terça-feira, maio 16, 2006

Play, de Alicia Scherson

A grande sensação do festival Indie Lisboa de 2006 foi a longa metragem “Play” da chilena Alicia Scherson. Claramente influenciado pelas histórias e ambientes de filmes de realizadores como Jean Pierre Jeunet (Amélie Poulain), Alejandro Gonzáles Iñarritu (Amor Cão) ou Pedro Almodóvar, este trabalho é uma abordagem sensível e irónica do percurso solitário de duas personagens de mundos diferentes e que se cruzam a partir do momento em que se verifica a perda da mala de Tristan, que é achada por Cristina.
Esse é o ponto de partida para conhecermos Tristan, um jovem arquitecto em crise de identidade, numa altura da sua vida em que é abandonado pela sua namorada e o trabalho não lhe corre bem, tendo sido assaltado, confundido com outra pessoa e perdido a sua mala, só lhe restando voltar a viver com a sua mãe; e Cristina, uma jovem enfermeira que leva uma vida bastante simples e solitária, cuida de um velho judeu às portas da morte e que faz da imaginação e dos sonhos os seus melhores amigos. Na esperança que o seu dia-a-dia se torne menos aborrecido, rotineiro e monótono, Cristina resolve ir ao encontro do dono da mala (e dono dos objectos que dela fazem parte: IPod, isqueiro, carteira, documentos, cigarros e fotografias).
O que se segue é o entrelaçar das vidas destas duas personagens, que só se cruzam verdadeiramente no final, e cuja história nos é apresentada de forma inteligente mediante a articulação entre cenas reais e espaço onírico e imaginário e recorrendo formalmente ao cruzamento entre histórias e à apresentação da visão e pontos de vista das diferentes personagens. Trata-se de uma crónica inventiva e criativa na qual a música tem um papel fundamental e que não é apenas decorativo, servindo muitas vezes como evasão da realidade, na vida das personagens, aspecto que confere ao filme um lado mágico e delicioso, de verdadeira fábula da vida contemporânea.
Não sendo uma obra prima, “Play” facilmente reuniu consenso entre os espectadores do Indie Lisboa, arrecadando o principal prémio do certame.

domingo, maio 14, 2006

All the Invisible Children
Mehdi Charef, de Emir Kusturica, Spike Lee, Katia Lung, Jordan e Ridley Scott, Stefano Veneruso, John Woo

Apadrinhado pela Amnistia Internacional, o presente filme é constituído por sete curtas metragens cuja temática transversal é mostrar o papel das crianças, as suas dificuldades e problemas, e acima de tudo o seu Estatuto em pleno século XXI, nas mais diferentes culturas. A primeira curta, da responsabilidade de Mehdi Charef (Argélia) conduz-nos até à história das crianças que são usadas como soldados em guerras cruéis, em relação às quais são completamente alheios, neste caso no Burkina Faso. Segue-se a curta de Emir Kusturica, cujo ambiente dos seus filmes é fácil de reconhecer. Trata-se da história de meninos que são manipulados pela sua família (ciganos) e obrigados a roubar e como as prisões/casas de correcção podem servir como tábua de salvação para estas crianças. A América de Spike Lee é a terceira curta do filme e aborda a marginalização das crianças filhas de toxidopendentes e seropositivos e dos estigmas e preconceitos que normalmente lhes estão associados. A rivalidade entre classes, as questões sociais (droga, Sida, guerra, raça) e a segregação social enformam um dos segmentos mais interessantes do filme. Como país de terceiro mundo e conhecido mundialmente pelas desigualdades sociais extremistas que o caracterizam, o Brasil não poderia ficar de fora. As favelas são, naturalmente, o cenário eleito por Katia Lung (co-realizadora do filme “Cidade de Deus”) que nos dá a conhecer o percurso de duas crianças que percorrem diariamente a favela onde vivem, em busca de cartões, latas, lixo... que vendem a troco de meros tostões. A quinta curta metragem, de Jordan e Ridley Scott, é a história de um fotógrafo de guerra que se sente atormentado pelos cenários que presenciou, destacando as dificuldades vividas por um grupo de órfãos do leste europeu e a sua luta pela sobrevivência. Seguiu-se Itália (Stefano Veneruso), com as suas majestosas praças que são palco de diários assaltos levados a cabo também por crianças, vítimas do crime organizado. A ocorrência de um desses furtos, é pretexto para assistirmos aos discursos e representações que o italiano comum tem sobre esta realidade que lhes é tão próxima. Finalmente, John Woo conclui este filme contando uma história que põe em evidência as desigualdades sociais na China, opondo uma menina rica a uma menina pobre, com especial incidência na escravidão das crianças/trabalho infantil.

domingo, maio 07, 2006

Geminis, de Albertina Carri

Este não é um filme de fácil digestão. A temática principal é a relação incestuosa entre dois irmãos (Jeremias e Meme), no seio de uma família de classe alta, que vive de públicas virtudes, mas também de vícios privados. A pretexto do casamento do filho mais velho (que vive em Espanha), a família reúne-se durante alguns dias para comemorar o acontecimento com pompa e circunstância. É nesse contexto que nos apercebemos da relação amorosa existente entre os dois filhos mais novos, (e que já dura há mais tempo) relação que se desenvolve de uma forma muito intensa, dramática, carnal e por fim, claro está, trágica. Curiosamente esta é uma temática recorrente nas novelas sul americanas, e a realizadora argentina Albertina Carri, inteligentemente demonstra-o numa das cenas do filme. Subjacente a esta história, encontramos neste filme uma clara crítica à sociedade oca e dos bons costumes, que vive de aparências, como é o caso da família retractada. Na verdade estamos perante um filme com um enredo bastante simplista, contudo nada simples de abordar pela complexidade que a temática do incesto encerra.
Ainda que o fim não seja dos mais originais (e não era assim tão difícil imaginar um final à medida desta história e ao mesmo tempo que não fosse previsível), é extremamente interessante a abordagem deste sentimento único entre os dois irmãos que foi para além do que é socialmente aceitável, mas também assistir à repercussão que a revelação de tal “anormalidade” tem na vida dos restantes familiares.
Destaque ainda para o papel dos pais, uma mãe hiperactiva que vive para o socialmente correcto, e um pai adormecido e ausente. Estas personagens ajudam a caracterizar o contexto e conferem ao filme mais alguns motivos de interesse.
É perturbante, incómodo, polémico, sofrido e cruel... mas apaixonante.

quinta-feira, maio 04, 2006

Murderball, de Henry-Alex Rubin

Murderball é uma prática desportiva que consiste numa espécie de Rugby, mas praticado por tratraplégicos em cadeira de rodas especialmente apetrechadas para o efeito. É também o nome de um documentário de Henry-Alex Rubin, (vencedor do Festival de Sundance 2005 e que curiosamente esteve entre os nomeados para Óscar de melhor documentário em Hollywood), que acompanha o quotidiano de um conjunto de homens incapacitados fisicamente e que ficaram tetraplégicos, exibindo-nos o dia-a-dia de duas equipas da referida modalidade, que são rivais, EUA e Canadá, nomeadamente na sua preparação para os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. A pretexto do acompanhamento da preparação para esse acontecimento desportivo, conhecemos o seu percurso, o seu ambiente familiar, as suas histórias de vida, e a forma como lidam com as suas limitações, desde o momento em que ficaram nesse estado até à sua recuperação. Para os participantes no documentário, a recuperação passou precisamente pela prática desportiva, pondo o filme em evidência a forma como o desporto consegue reunir todo o tipo de pessoas e como a competição pode funcionar como terapia, física e psicológica.
Este é um documentário, autêntico, realista mas também informal, sendo por exemplo pautado por momentos cómicos (como as cenas em que são abordadas as práticas sexuais e de engate dos intervenientes). É, com efeito, um verdadeiro “murro no estômago” de quem assiste, e que leva a que nós, que não temos limitações físicas, ponhamos em causa muitas das nossas atitudes perante a vida. Estes homens não perderam tempo, aprenderam a viver com deficiência e a lutar por uma vida com qualidade. Não há aqui lugar a lamechices ou qualquer manifestação de pena, apesar de existirem alguns momentos dramáticos que apanharam o próprio realizador desprevenido, como quando um dos tetraplégicos sofre um ataque cardíaco e assistimos às implicações desse acontecimento na vida dos colegas e familiares e do próprio doente, que mais uma vez não desiste. Curiosamente uma das figuras centrais do filme, Joe Soares, é português, e lamenta que em Portugal haja tanta ignorância e preconceito no que toca a estas questões, destacando que aqui não teria qualquer hipótese de recuperação e de levar uma vida digna e praticamente normal. Lamentavelmente tem razão.
Não há motivo para não ir ver este documentário, que estreará brevemente nas salas nacionais.

quarta-feira, maio 03, 2006

The Death of Mr Lazarescu, de Cristi Puiu

Lazarescu Remus Dante é um pobre diabo. Na casa dos 60, viúvo e solitário, este velho conta apenas com a ajuda (mínima) dos vizinhos e a companhia dos seus gatos, e tem a particularidade de ser hipocondríaco. Talvez por isso, e principalmente por ser dado à bebida, ninguém acredita em si quando começa a sentir uma dor de cabeça indesejada.
Este espantoso filme apresenta-nos o calvário de um pobre velho para ser atendido nas urgências de um hospital. Acompanhamos a saga deste infeliz velho, de Urgência em Urgência, passando pelas mãos de pessoal médico com as mais diversas competências. São várias as opiniões, diversos os diagnósticos, desde cirrose a cancro no cólon, passando por traumatismo craniano ou pura e simplesmente... ressaca!
O realizador romeno Cristi Puiu pensou este filme como a primeira de uma série de seis histórias sobre os subúrbios de Bucareste, e esta, em particular, facilmente permite-nos encontrar paralelo na realidade portuguesa. Durante duas horas e meia somos arrastados para uma situação filmada como se de uma situação real se tratasse, com uma crueldade, realismo e pertinência que nos chega a deixar constrangidos face a este drama intenso e que põe em evidência as deficiências e fragilidades do sistema de saúde romeno (mas que podia ser o nosso), contudo, sem cair no melodrama de lágrima fácil.
Com excepção da paramédica Mioara, não há ninguém no filme que se preocupe verdadeiramente com a situação de Lazarescu: os vizinhos ocupam-se em apontar-lhe o dedo e dedicam-se ao vasculhar da vida alheia, o pessoal médico perde tempo a evidenciar hierarquias e comparar competências, afastando-se claramente daquela que deverá ser a sua missão primordial.
Este foi um dos melhores filmes em competição no festival Indie Lisboa 2006 (recebeu uma Menção Especial), e espera-se que venha a ter estreia comercial porque é demasiado bom para ficar circunscrito ao circuito dos festivais.

terça-feira, maio 02, 2006

Double Suicide Elegy, de Toru Kamei

Todos nós procuramos um sentido para a nossa vida, tentamos corresponder ao que esperam de nós, às exigências da família e da sociedade. Enquanto indivíduos em interacção com os outros aprendemos desde cedo a respeitar regras, a apreender princípios, valores e ideais sob os quais nos devemos reger e que sejam comuns e partilhados por todos na comunidade a que pertencemos. Mas quando chegamos à conclusão que estamos a viver uma rotina sem sentido, que o dia-a-dia não nos dá prazer e que não pertencemos ao meio em que estamos inseridos, vislumbram-se poucas hipóteses: tornamo-nos autênticos zombies, ou vivemos à margem ou pomos fim a tudo. Em “Double Suicide Elegy”, ela (Kyoko) e ele (Bandai) reúnem-se diariamente numa casa alugada durante duas horas por dia, tornando-se amantes. Nesta obra de estreia do realizador japonês Toru Kamei, acompanhamos as várias tentativas de suicídio conjunto de duas almas que há muito vagueavam sem sentido e para quem nem o seu encontro (e relação) significa motivo suficiente para demover estas almas deprimidas. O realizador recorre a uma técnica habitualmente utilizada no cinema ocidental independente de apresentar o ponto de vista de cada uma das personagens, técnica que se estende também, de forma original, à visão dos seus respectivos cônjuges. Essa forma de realização confere ao filme uma dinâmica e interesse que dificilmente aconteceria se a história nos fosse apresentada de forma linear.

segunda-feira, maio 01, 2006

“Um Pouco mais pequeno do que o Indiana”, de Daniel Blaufuks

Portugal, Campeonato Europeu de Futebol 2004. O país viveu meses de exaltação do ego nacionalista, os jogadores de futebol foram promovidos a heróis nacionais e bandeiras nacionais avistadas em janelas, carros, e outros sítios menos prováveis; o verde e vermelho foram as cores que mais se vestiram e o hino nacional teve direito a toque de telemóvel. Portugal apresentou uma fachada para a Europa e para o Mundo, dando ares de moderno, desenvolvido e civilizado.
Contudo, em Julho de 2004, no rescaldo do campeonato de futebol, Portugal era um país destroçado, desmoralizado, em crise de identidade, e de tão envergonhado, ficou ainda mais pequeno... um pouco mais pequeno que o Indiana.
Aproveitando-se da especificidade desse momento, um fotógrafo português com nome estrangeiro, Daniel Blaufuks, ao volante de um Mercedes antigo, galgou estrada pelos caminhos de Portugal, e viu tanta coisa linda, tanta coisa sem igual. Blaufuks tinha como missão filmar o seu país e retractar uma paisagem em constante mutação, diferente da que tinha gravada na sua memória e nos postais de outrora. Apostado em apanhar em flagrante Portugal no seu melhor, o realizador filma as rotundas desnecessárias, as merendas nos pinhais (onde deflagram os incêndios), os estádios fantasma do Euro, as vivendas decoradas com mau gosto, as piscinas, os mamarrachos da “arte pública”, o desrespeito no trânsito, as televisões sempre ligadas... e na verdade não filma mentira nenhuma! Essas imagens são acompanhadas por informação estatística sobre o carácter dos portugueses: o povo mais desconfiado, o menos educado, etc...
Contudo, é evidente neste documentário uma tentativa forçada de concretizar e comprovar um conjunto de noções que o autor já tinha previamente, isto é, só filmou aquilo que legitima a sua visão e que vai ao encontro dos seus propósitos, revelando-se tendencioso, minimalista e, acima de tudo, superficial. No seu documentário (ou comentário, como o autor prefere) não há lugar a qualquer problematização, reflexão ou análise, que é essencial no enquadramento de imagens (que são factos) e dados estatísticos. O autor limitou-se a narrar e opinar (e que péssima narração!) meia dúzia de lugares comuns (sempre negativos) e não procurou desconstruir a realidade que se lhe afigurava, que encarou de forma passiva e unilateral. Com alguma arrogância e presunção o autor revelou conter em si uma das características típicas do português – dizer mal de tudo!
Não querendo cair nessa mesma maledicência, destaco positivamente a banda sonora do filme, a cargo dos Dead Combo, pautada também por músicas dos tempos da velha senhora (Duo Ouro Negro, Eduardo Nascimento), os bons ângulos fotográficos (ou não fosse o autor também fotógrafo), as imagens de arquivo e, apesar de tudo, a discussão que o filme consegue suscitar.

sábado, abril 29, 2006

Finalmente! Belle And Sebastian em Portugal
17 de Julho, Coliseu de Lisboa
29 euros

quinta-feira, abril 27, 2006

"Mutual Appreciation", de Andrew Bujalski

Estamos perante um filme puramente independente, isto é, filmado com poucos meios, assuntos abordados sob pontos de vista não convencionais, planos fixos e artesanais, elenco reduzido e familiar. Realizado por Andrew Bujalski, naquela que é a sua segunda incursão por estas lides, Mutual Appreciation acompanha a vida de 3 personagens que ainda estão à procura do seu lugar no mundo. Filmado com planos muito aproximados e fixos, a preto e branco e constituído essencialmente por diálogos sobre o sentido da vida, a viagem que fazemos por estas vidas revela-se algo monótona e pouco convincente. As personagens são típicos meninos endinheirados que fingem ser independentes e auto-suficientes, vivendo um dia-a-dia ilusoriamente alternativo e rebelde, e que resolvem debitar perante a câmara um conjunto de divagações e preocupações que se traduzem em muito pouco conteúdo. O próprio uso do preto e branco parece uma tentativa do realizador fazer algo com um certo ar intelectual, ou aspirando a tal. Apesar de tudo o filme não cai totalmente na banalidade e embora as personagens não nos consigam cativar plenamente, o filme tem alguma classe e em nada tem a ver com qualquer comédia romântica teen tipicamente americana.
O realizador, Andrew Bujalski, que também é actor no filme, estava presente na sessão, que se realizou no Cinema King, numa sessão do Indie Lisboa, conseguindo a proeza de ser a personagem mais irritante da sua própria obra.

terça-feira, abril 25, 2006

"The Devil and Daniel Johnston", de Jeff Feuerzeig

Daniel Johnston é um louco. Dan Johnston é um génio. Este é o mote do documentário em torno de umas das figuras mais carismáticas da cena musical do rock-folk americano. A história desta personagem é apresentada através de um inteligente intercalar de entrevistas e testemunhos de pessoas que estiveram presentes na vida de Daniel, articulados com registos em áudio e vídeo realizados pelo próprio e que conferem ao filme um registo dinâmico e extremamente realístico (um pouco ao jeito de "Tarnation"). O filme inicia-se nos anos 70. Daniel, ainda um jovem, dava sinais da sua genialidade através da escrita e interpretação de músicas baseadas na sua história pessoal, e vídeos caseiros nos quais recriava diversas personagens do seu quotidiano e universo, entre as quais a sua própria mãe. Os anos 80/90, época de maior expressividade da sua obra, é também a altura em que a doença bipolar de que padece mais se evidencia. Nos dias de hoje, quando Daniel está na casa dos 40, leva uma vida regada de medicação e cuidados, mas continua a ter oportunidade de criar.
Durante duas horas são documentados vários episódios da atribulada "carreira"/"vida" deste talentoso músico (e original cartoonista), e do culto gerado em torno desta figura por uma comunidade alternativa que o idolatrava e acarinhava. As suas actuações revelavam o quão perturbado, maníaco e alucinado conseguia ser. A partir de determinada altura - que culmina no seu internamento - Daniel, que teve uma educação extremamente religiosa, começa a levar à letra e a adulterar o sentido das Escrituras, pondo algumas delas em prática...
Ao longo dos anos as suas letras e melodias, íntimas, profundas, apaixonadas, foram sendo utilizadas por artistas como Mercury Rev, Flaming Lips, Tom Waits, Beck ... o que contribuiu para que o seu trabalho se tornasse conhecido por um maior número de pessoas.
Este filme, vencedor do prémio do púbico para melhor documentário no festival de Sundance 2005 (e melhor realizador), é um verdadeiro exemplo de como a genialidade e a loucura estão de mãos dadas. Encontra-se para consumo obrigatório no festival Indie Lisboa e brevemente em estreia comercial.