segunda-feira, abril 24, 2006

Blitz: 1984-2006

O Blitz (jornal) vai dar lugar à Blitz (revista) num verdadeiro exercício de transformismo. Hoje foi a última edição.

Me And You And Everyone We Know, de Miranda July

Este é um daqueles filmes que a comunidade cinéfila em Portugal questiona há muito tempo porque é que nunca estreou em Portugal. No filme é usada a técnica habitualmente utilizada na produção independente americana de narrar várias estórias que a dada altura se entrelaçam, ao jeito de "Happiness", abordando com grande sensibilidade alguns dos temas típicos do cinema independente. Cada cena do filme revela-se interessante e em algumas situações hilariante, contudo o filme peca por não ter uma história estrutural convincente (a que é vivida pela personagem de Miranda July, a realizadora). O filme vive de bons momentos, mas em termos globais não é muito consistente, não permitindo ao espectador envolver-se no filme e com as personagens. Contudo é possível tirar bom partido de pequenas cenas, simples, bem pensadas e eficientemente construídas. O filme constitui-se como um exemplo bem sucedido de como é possível construir narrativas a partir da banalidade que é a nossa vida, sem ter de recorrer a grandes floreados ou cair em clichés. Durante cerca de hora e meia são vários os temas abordados de forma simples, cómica e sensível: a inocência perdida das crianças; a busca da inocência perdida, pelos adultos; a procura do verdadeiro amor em todas as idades; a difícil partilha da intimidade... Especial destaque para o elenco infantil, sem dúvida o melhor do filme e que é responsável pelas gargalhadas que deverão ter sido ouvidas no Magnólia Café, ali mesmo ao lado do cinema Londres, onde decorreu a sessão, no âmbito do Festival Indie Lisboa.

domingo, abril 23, 2006

Le Temps Qui Rest, de François Ozon

Depois de "5X2", que retractava o percurso da relação entre um homem e uma mulher durante 5 etapas da sua vida, François Ozon ("Swimming pool" e "8 Mulheres"), cineasta francês cujo nome está associado inevitavelmente ao que de melhor se tem feito no cinema francês nos últimos 10 anos, apresenta-nos o seu mais recente filme, "Le Temps Qui Rest".Segundo o realizador, trata-se do segundo filme de uma trilogia sobre a morte, que se iniciou com "Sob a Areia".Neste filme, o actor Melvil Poupaud (que esteve presente na ante-estreia do filme no âmbito do festival Indie-Lisboa, no Fórum Lisboa), retrata um jovem de 31 anos a quem é diagnosticada uma doença terminal. O filme aborda a forma como o jovem Romain lida com a situação, desde a pura negação da sua condição até à resignação e aceitação do seu destino. O filme ancora-se essencialmente na espantosa e eficiente interpretação do actor principal, cuja personagem revela um carácter egoísta, arrogante, de perfil individualista, mas que não deixa, contudo, de demonstrar o seu lado mais frágil e sentimental despedindo-se a pouco e pouco e à sua maneira dos seus entes mais próximos e também de si próprio. Apesar da temática, o filme não cai em sentimentalismos, melodramas e choro fácil. Melvil Poupaud aquando da sua intervenção no Fórum Lisboa pediu que "tenham uma boa sessão, mas desculpem porque vão ficar deprimidos". Curiosamente no fim do filme senti-me bem e em paz interior.

sexta-feira, abril 14, 2006

E que a morte esteja convosco...

Saudações fúnebres a todos!
Na segunda feira dia 17 de Abril a RTP2 transmite às 22h30m (e às 01h30m) um programa especial sobre a 5ª série de Six Feet Under.
Segundo o site da RTP, trata-se de "um excelente "making of" da série de culto "Sete Palmos de Terra". Todos os processos que envolveram a rodagem e produção desta aclamada série, incluindo entrevistas aos actores e realizador." Todos nós sabemos como esta gente exagera, mas vale a pena ver...
Ás 23h45m um especial de 2 horas com a transmissão dos 2 últimos episódios da 4ª temporada. Dia 24, véspera da revolução, a estreia da 5ª série às 22h30m. O acontecimento do ano!
No primento episódio "Ruth está apreensiva com o regresso de George do hospital. Nate e Brenda preparam-se para o seu grande dia. Mas um triste acontecimento os fará reconsiderar. Enquanto isso, David e Keith discutem alternativas para se tornarem pais."
As minhas condolências...

quinta-feira, março 23, 2006

Festival Indie Lisboa 2006
11 dias de overdose alternativa
Matthew Barney, Björk, Nick Cave, Emir Kusturica, Abel Ferrara e Larry Clark na 3ª edição do IndieLisboa

O Festival Indie Lisboa está de volta, nos dias 20 a 30 de Abril em Lisboa. Para este terceiro ano e apesar de bizarria da Câmara Municipal que queria o festival de volta ao cinema S. Jorge, apesar deste estar em obras, o festival mantém a sua sede (desde o 2º ano) no Fórum Lisboa, continua nas salas do King Triplex e aproveita ainda o cinema Londres ali perto na Av. de Roma... (quem sabe se para o ano que vem o cinema Quarteto, também geograficamente aproximado, albergará o festival!).
Este ano o festival constitui-se por 282 filmes na programação final (contra 130 do ano passado e 79 em 2004), seis salas (Londres, King e Fórum Lisboa, 4 em 2005 e 3 em 2004), 14 estreias mundiais (7 internacionais e 2 europeias) e 48 filmes portugueses (6 longas metragens e 42 curtas).Oportunidade para recuperar uma vez por ano o ambiente que se vivia no Cine222 quando a Zero em Comportamento (o organizador do festival) programava essa sala com ciclos temáticos e alternativos, mas desta vez, com melhores condições. Pena que o festival não se possa prolongar numa destas salas ao longo do ano em reposição.
O ano passado o festival terminou com a Ante-estreia do então mais recente filme de Todd Solondz, "Pallindromes" (do realizador de "Happiness") - e que curiosa e estranhamente nunca chegou a estrear em Portugal - e este ano encerra com o novo de Michael Cuesta, "Twelve and Holding" (do realizador de "L.I.E" e que faz parte da equipa de Sete Palmos de Terra).

terça-feira, março 21, 2006

"A History of Violence", David Cronemberg
There’s no such thing as monsters

O novo filme de David Cronemberg traz até nós uma América provinciana e pacata onde o sentimento de comunidade funciona como uma carapaça de protecção à rotina e previsibilidade dos seus habitantes tradicionais e corriqueiros. O mesmo David Cronemberg de "A Ninhada" ou "A Mosca", aparentemente virou-se contra si próprio e contra a sua fórmula de sempre. "There’s no such thing as monsters", diz o protagonista à sua filha, angustiada após ter tido um pesadelo com monstros. Mas neste filme os monstros são outros... e corporizam-se em fantasmas do passado, nas mentiras e na ilusão e medo de não saber quem é a pessoa que esteve ao nosso lado a vida inteira. Mas apesar desse aparente afastamento do lado "monstruoso", há elementos típicos da cinematografia do realizador como a violência e o sexo (na sua forma brutal e carnal), que se mantêm presentes, bem ao estilo de "Crash" (o polémico filme do realizador, onde eram exploradas relações mecânico-sexuais). Estamos perante um filme que, a par de "Caché - Nada a Esconder" de Michael Haneke, nos faz sentir um aperto no peito durante todo o filme, sensação que é ajudada pelas interpretações nuas e cruas de Viggo Mortensen e Maria Bello.
A ilusão e a crença é o que ainda nos vai permitindo sobreviver, mas a desilusão é capaz de nos matar!

domingo, março 19, 2006

Regina Spektor + Tori Amos = Fiona Apple
Com um ano de atraso...
"Extraordinary Machine", Fiona Apple

1. Extraordinary Machine
2. Get Him Back
3. Oh Sailor
4. Better Version Of Me
5. Tymps
6. Parting Gift
7. Window
8. Oh Well
9. Please Please Please
10. Red Red Red
11. Not About Love
12. Waltz

sábado, março 18, 2006

Sons para a ouvir com a chuva de março...
Sondre Lerche "Duper Sessions"
Lançamento: 21 Março

1. Everyone's Rooting For You
2. Minor Detail
3. Across The Land
4. The Curse Of Being In Love
5. Dead End Mystery
6. Night And Day
7. Once In A While
8. Human Hands
9. You Knocked Me Off My Feet
10. I Wanna Call It Love (ouvir)
11. Nightingales
12. I'm Not From Here
13. You Sure Look Swell


segunda-feira, março 13, 2006

Outro senhor que está quase a chegar...
"The Sopranos" - 6ª e última temporada
Estreou hoje nos EUA

quarta-feira, março 08, 2006

Este senhor está prestes a chegar.

"Ringleader of the Tormentors"
3 de Abril 2006

um aperitivo: Morrissey - You Have Killed Me (o vídeo).

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Beautiful Agony
Facettes de la petite mort

O site Beautiful Agony é dedicado, como o próprio site indica, à beleza do orgasmo humano. Não se trata de um site pornográfico, a única nudez que é vista está acima do pescoço. O conceito do site é precisamente que as pessoas para lá enviem um pequeno filme de um seu orgasmo. Nem sempre se percebe se a pessoa está sozinha ou acompanhada, ou o que faz para atingir o dito. Mas a expressão não engana! O site é pago, embora com algumas amostras grátis (referenciadas como free sample).

domingo, fevereiro 26, 2006

Josh Rouse, Subtítulo
Lançamento: 20 Março 2006
1. Quiet Town
2. Summertime
3. It Looks Like Love
4. La Costa Blanca
5. Jersey Clowns
6. His Majesty Rides
7. Givin’ It Up
8. Wonderful
9. The Man Who
10. El Otro Lado
O vídeo do single "Quiet Town".

Ainda sobre o filme do post anterior...

Há um site com uma série de quadros do filme em... ... Lego!
A descoberta foi feita por Nuno Galopim no seu blog Sound and Vision (em co-autoria com João Lopes).

A colecção completa pode ser vista aqui.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Segredos e mentiras

"Brokeback Mountain", Ang Lee

Poucas palavras sobre o filme "O Segredo de Brokeback Mountain", porque também é dessa forma que se exprime a personagem principal do filme. Trata-se de um retrato de como a intimidade, a amizade, o amor e a cumplicidade podem surgir a qualquer momento, em qualquer lugar, quando e com quem menos esperamos. O filme vale, acima de tudo, pela originalidade de Ang Lee na forma como apresenta esta história de amor alternativa. Como já ouvi dizer algures "quem não for ver este filme, é maricas!".
Uma nota sobre o público: O público português, curioso como é, está a ir em massa ver o filme, mas não tem, na sua maioria, maturidade para o assistir. Na sessão a que assisti ao filme os comentários preconceituosos entre dentes e risinhos despropositados em determinados momentos do filme demonstram que em primeiro lugar não há respeito porque quem quer ver um filme descansado, e em segundo que não sabem ver cinema. Eu não pago para ouvir burburinho e preconceito alheio!

sábado, fevereiro 04, 2006

Match Point, Woody Allen
20/01/2006
Um novo filme de Woody Allen é sempre motivo de grande expectativa. Nos últimos anos o realizador passou por uma fase menos inspirada, nomeadamente com filmes como "A Maldição do Escorpião de Jade", "Vigaristas de Bairro" ou mesmo "Hollywood Ending", contudo, mesmo nesses filmes a sua criatividade e capacidade de escrita bem como a sua presença enquanto actor, permitiu-nos desculpabilizar o facto de não serem obras primas. Com "Anything Else" e "Melinda and Melinda", Allen deu inicio a um processo que sugeria que podesse estar a voltar à boa forma, nao tendo necessariamente de aparecer em cena para que o filme fosse interessante (no primeiro surge como personagem secundário e no segundo não aparece).
Senhoras e senhores, passadeira vermelha e deixem passar a tragédia grega "Match Point"! Sim, não tem Jazz... mas a Ópera fica-lhe tão bem (mesmo para quem nao aprecia). Sim, não tem Manhattan... mas Londres assenta-lhe como uma luva e o "british accent" fica a matar! Woody não entra... (mas seria estranho vê-lo fora do seu habitat natural). Sim, não temos Mia Farrow nem Diane Keaton... mas temos Scarlett Johansson (não é a mesma coisa mas elas também já se foram há muito tempo)... Evidentemente não é uma comédia... mas para quem não sabe, alguns dos seus melhores filmes também não o são. De salientar ainda a retoma da dicotomia crime e castigo que já havia inspirado "Crimes e Escapadelas" e o facto de ultrapassar a crónica hora e meia de duração dos seus filmes. Aspecto curioso o facto de ser dificil deixar de associar Jonathan Rhys-Myers à sua personagem andrógena de "Velvet Goldmine". Em suma, não sendo uma masterpiece, é no entanto, um bom prenúncio do que poderá ser a segunda parte da primeira década do novo milénio no que à obra de Woody Allen diz respeito.